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Artigo | Sobre pesquisas e dossiês

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No Riacho Fundo II, foram recolhidas 251 toneladas de entulho das ruas, estradas e áreas públicas| Foto: DivulgaçãoO...

09 SETEMBRO

09 SETEMBRO Fonte: Agência Brasília

11/09/2020

11/09/2020 Fonte: Agência Brasília

Para que não reste dúvida, o nazista que ocupa a presidência autorizou a divulgação de um dossiê produzido pela Secretaria de Operações Integradas, Seopi, subordinada ao Ministério da Justiça com a finalidade de cumprir a missão de serviço de inteligência. O resultado da espionagem é uma lista de 579 nomes identificados como antifascistas, dentre os quais servidores federais e estaduais da área de segurança e três professores.

É claro que esse não é o único dossiê e o recado está dado. A guerra imunda está declarada. Os nazistas seguem tão à vontade que não se importam de dizer que ser antifascista é sinônimo de “ marginais, terroristas, que querem se movimentar para quebrar o Brasil”, conforme pronunciamento do mito que governa o país, em junho último.

A tirania é mouca, então não custa lembrar aos leitores que o nazismo é crime no Brasil. De acordo com a Lei 9.459 de maio de 1997 que deu origem ao 5º artigo da Constituição promulgada em 1988, e isso parece que já faz muito tempo, “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propagandas”, é passível de até cinco anos de reclusão e pagamento de multa.  

Requerimento exige que governo explique ação de vigilância a grupo antifascista

O Brasil é signatário de dois acordos internacionais, o de 1968 sobre a eliminação de todas as formas de discriminação e o de 1992, assinado na Convenção Americana de Direitos Humanos mais conhecida como Pacto de São José da Costa Rica. Dado interessante é que nove meses após ratificar a convenção de 1968, a ditadura instalada desde 64 no Brasil decretou o AI5. Eram as Forças Armadas contra uma minoria de cidadãos que foi discriminada desde a eliminação de seus direitos políticos, profissionais, e até da própria vida.

O neonazismo hoje

Em meio ao espanto de muitos, o descrédito de tantos, e a pergunta recorrente sobre a raiz da alta popularidade do nazista em chefe, duas pesquisas dão mais uma pista para o drama da falta de resposta objetiva que a realidade só costuma dar quando se olha para ela sem ilusões.

A pesquisa sobre o uso político da web publicada em junho deste ano, 2020, foi coordenada por antropóloga paulista e se baseou em denúncias de ONGs e registros de delegacias especializadas em crimes contra minorias a partir de discursos e atos de ódio praticados com motivação nazifascistas.

De acordo com o apurado, nos últimos seis meses de 2019 a junho de 2020, o número de células neonazistas cresceu em todo o país, passando de 334 para 349, e o número de membros passou de 5 mil para 7 mil filiados. São Paulo é o Estado com o maior número de células, são 102, seguido do Paraná, com 74. Santa Catarina vem em terceiro com 69 células. A pesquisa destaca que os novos grupos criados no Paraná são formados por pessoas ligadas ao meio rural e às igrejas evangélicas fundamentalistas. Há 15 anos o grupo da antropóloga rastreia células e membros nazifascistas na internet.

A outra pesquisa foi realizada pela ONG SaferNet Brasil, que promove e defende os direitos humanos na web. Segundo a instituição, junho de 2020 foi o mês que mais recebeu denúncias de crimes neonazistas desde janeiro de 2006. Foi um total de 3.616 denúncias, registradas em 1.614 páginas. A SaferNet tem convênio com o Ministério Público Federal. Após verificar a evidência das denúncias, a ONG as encaminha ao MPF para análise e investigação.

Como já dito, as pesquisas não oferecem a tão desejada resposta, mas na conclusão do trabalho a antropóloga deixa uma advertência importante: “é preciso soar o alarme sobre o neonazismo no Brasil”.

*Maria Luiza Franco Busse é jornalista, semióloga e professora universitária aposentada. Graduada em História, mestre e doutora em Semiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Esse é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Edição: Camila Maciel

Fonte: Agência Brasil

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