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“A luta pela paz deve continuar”, diz combatente da

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09 SETEMBRO

09 SETEMBRO Fonte: Agência Brasília

11/09/2020

11/09/2020 Fonte: Agência Brasília

Seuxis Paucias Hernandez Solarte, mais conhecido como Jesús Santrich, tem sido uma das principais figuras públicas na Colômbia durante e após às negociações do Acordo de Paz entre as FARC e o governo colombiano, concluídas em 2016. Os desdobramentos do acordo, quase quatro anos depois, são malsucedidos devido ao descumprimento dos capítulos decisórios para criação da paz no país por parte do Estado.

Santrich foi um dos ex-guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que passaram da clandestinidade da luta armada à luta institucional após o acordo, ao se tornarem um partido político, com a mesma sigla, porém, com o nome Força Alternativa Revolucionária do Comum.

Em agosto de 2019, no entanto, Santrich anunciou seu retorno à luta armada como um dos fundadores das FARC-EP Segunda Marquetalia (em referência ao território em que as FARC foram criadas inicialmente, em 1969). Na ocasião, ele e os demais guerrilheiros anunciaram que a decisão era uma resposta ao que chamaram de “traição do Estado colombiano aos acordos de paz”.

Em entrevista à jornalista independente Sasha Yumbila Paz, publicada originalmente em espanhol, o líder da guerrilha faz um balanço dos “acertos e desacertos” do Acordo de Paz firmado em novembro de 2016.

Segundo ele, o acordo foi produto do diálogo como política dentro da estratégia de luta das FARC e que a saída política dialogada continua sendo um componente fundamental para a construção de uma nova Colômbia. Contudo, ele afirma que o acordo “não poderia se converter em um instrumento de rendição, em uma capitulação”, como tem ocorrido, segundo a sua análise.

Para o guerrilheiro, o capítulo sobre a entrega das armas é uma falha do acordo, bem como o capítulo sobre a reincorporação dos ex-guerrilheiros à vida civil.

“Existe muita precariedade para os ex-guerrilheiros e tudo aquilo que foi deixado para ser cumprido só pela força do compromisso se esfumou, como o assunto da terra e moradia para os ex-guerrilheiros”, diz Santrich.

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No entanto, ele reitera que o principal problema do Acordo de Paz é o descumprimento por parte do governo colombiano.

“Por si só e apesar dos seus déficits, este acordou traçou um caminho para a construção da justiça social, com uma visão integral, com foco territorial para a criação das condições que permitam superar a violência política, sobretudo nas comunidades rurais, camponesas, indígenas e afrodescendentes. E embora as reformas propostas não transcendam a natureza do capitalismo, elas estabelecem as bases para a justiça social, a superação da violência estrutural e a abertura da democratização política, econômica, social e cultural do país”, analisa.

Ele cita como exemplo a definição dos Planos de Desenvolvimento com Enfoque Territorial para 16 zonas marginalizadas do país, compromissos sobre formalização e distribuição da pequena e média propriedade da terra ou distribuição da mesma, e outra série de aspectos que, em sua visão, configuravam um plano ambicioso de reforma rural.

Os planos de desenvolvimento, bem como as garantias de segurança para as comunidades em seus territórios, foram descumpridos pelo governo de Iván Duque.

“Tudo isso não passou de ser uma redação de compromissos, que agora tem o selo de que com o governo não está nada acordado”, resume Santrich.

:: Leia mais: Especial | Colômbia Profunda ::

Assassinato de líderes sociais e divergências

Segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e da Paz, desde a assinatura do Acordo de Paz com as FARC, mais de 800 líderes sociais foram assassinados, vários deles enquanto trabalhavam para a implantação do acordo. Ainda segundo o organismo, as FARC-EP Segunda Marquetalia, grupo reincorporado à luta armada, seria responsável por 8% dessas mortes. Questionado sobre o envolvimento da guerrilha neste conflito, Santrich responde:

“Estas mortes, evidentemente, são produto do terrorismo de Estado. O que expressam é o reforço da violência sistemática institucional e para-institucional; isto é, um reforço estatal da Doutrina da Segurança Nacional, que deriva da famosa ‘paz com legalidade’ do governo de Iván Duque e que está direcionada para adiantar um processo de pacificação repressora de territórios estratégicos (…). Respondo enfaticamente que nós não temos nada a ver com esses crimes que rechaçamos e condenamos”. 

Um dos exemplos comentados por Santrich é o atentado contra o líder do partido FARC Timoleón Jiménez, o que considera ser um falso positivo, como é chamado um atentado planejado para culpar o lado contrário. Santrich afirma que, apesar das discordâncias entre a atual organização armada e os ex-combatentes que optaram pela via da legalidade com o partido FARC, não há uma escolha pela “discussão a tiros”.

“A partir de cada cenário, existem pontos de vista profundamente controversos, mas tal controvérsia, entre revolucionários, deve se dar no campo da batalha das ideias; não podemos levá-la a enfrentamentos de outra ordem”, comenta.

Meios de comunicação

Ainda na entrevista concedida à jornalista, Santrich analisa o papel dos meios de comunicação hegemônicos na Colômbia, que, em sua visão, têm contribuído para “normalizar” o extermínio sistemático dos ex-combatentes das FARC em meio à onda de assassinatos contra dirigentes comunitários e defensores dos direitos humanos, tratando as mortes como casos isolados e não como uma estratégia permanente e ostensiva.

“As explicações dadas pela mídia geralmente combinam uma linguagem de ordem pública, referindo-se aos territórios em que ocorrem os assassinatos como se fossem ‘zonas vermelhas’ em que reinam grupos criminosos em absoluta anarquia, em um transe de ‘acerto de contas’ e lutas pelo controle territorial. (…) O que, de passagem, vitimiza o Estado, que é apresentado como ator impotente diante do dever de garantir a vida, os direitos humanos e o exercício da política”, diz.

Para ele, a investigação dos assassinatos de líderes sociais por parte da Unidade Especial da Procuradoria Geral do país se limita à tentativa de esclarecer os autores diretos de alguns crimes, mas é falha por “não procurar aqueles que são os determinantes e que estão vinculados às estruturas paragovernamentais”.

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Perseguição estadunidense e continuidade da luta pela Paz

Em 2018, Santrich não pôde participar de sua cerimônia de posse como deputado do partido FARC após ser detido, acusado de envolvimento no tráfico de cocaína pela Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês). No ano seguinte, o país norte-americano tentou extradita-lo, mas foi impedido com base na Jurisdição Especial da Paz (JEP), sistema judiciário de transição criado no marco do Acordo de Paz.

Porém, em uma nova tentativa de capturá-lo, a Agência Antidrogas dos Estados Unidos, junto com o Departamento de Estado do país, emitiu um comunicado oficial, em junho de 2020, oferecendo a recompensa de 10 milhões de dólares por informações sobre a localização de Santrich e do também guerrilheiro Iván Márquez.

Santrich analisa que a busca pela sua captura faz parte da ofensiva dos Estados Unidos contra “todos aqueles que ocupam posições anticapitalistas ou anti-imperialistas”.

“A fúria é contra posições e ações dignas daqueles que não atendem à subjugação e resistem à sua hegemonia, sejam eles indivíduos, organizações, povos ou nações, como é o caso, por exemplo, da Venezuela e de Cuba“.

O guerrilheiro comenta, por fim, que acredita que o caminho para a construção da paz é continuar com a luta contra o Consenso de Washington em todos os âmbitos, sem esquecer, em suas palavras, que só uma revolução pode levar à materialização da paz com uma perspectiva de justiça social.

“E qual a melhor maneira de fazê-lo do que com a luta e na própria luta, no combate político, ideológico, militar e cultural?”, conclui.

Edição: Vivian Fernandes

Fonte: Agência Brasil

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