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Artigo | Como candidato, Bolsonaro usa população vulnerável

O ano é 2020. Além de eleições municipais, é o ano de uma pandemia que nos coloca em uma encruzilhada civilizatória, diante de novos dilemas políticos e éticos. Um evento nos revelou a real dimensão de nossa vulnerabilidade em um mundo completamente conectado: e que o bem-estar individual também depende do coletivo.

As pessoas se voltaram para o Estado e estão exigindo medidas de proteção para sobreviverem à crise da pandemia que veio apenas piorar a situação de crise a qual a população mundial já vivia.

São anos de crise com os cortes nas políticas sociais, legitimando a absurda concentração de riqueza, impedindo medidas efetivas para evitar as catástrofes ecológicas e o consequente aumento da desigualdade social. A política, que deveria suprir as necessidades e os anseios dos cidadãos se furta dessa função e o mercado a cada dia vai ganhando corpo e só ascendem a ele os mais fortes.

Em benefício da força desse mercado, grande parte da população vive hoje à margem, morrendo pela miséria, violência, fome, falta do olhar de um sistema de privilégios. O vulnerável que precede a pandemia e somente se agrava com ela.

Mas a pandemia também faz pensar na ausência do Estado e a exceção em tempos excepcionais. Em medidas de enfrentamento à crise.

Um exemplo de medida para proteger a população vulnerável durante a crise da pandemia foi a criação de um beneficio financeiro destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados, com o objetivo de garantir uma renda mínima aos brasileiros em situação mais vulnerável durante a pandemia da Covid-19: o Auxílio Emergencial, no valor de R$ 600, instituído por Lei Federal nº 13.982, de 02 de abril de 2020. Obra do Congresso Nacional que travou uma luta com o Governo Federal, que divergia do valor, com proposta de R$ 200.

Uma medida que grande parte da população, especialmente aqueles que se beneficiam, não tem conhecimento, é que este é um auxílio pago pelo seu próprio bolso, assim como outros benefícios sociais “concedidos” por conta de impostos pagos pela própria população. Um direito.

Essas pessoas são fundamentalmente vulneráveis à falta de informação e aos que sabem falar à sua linguagem e captam suas inquietações. Como os pastores evangélicos conservadores e apologistas da dominação capitalista, colonialista e patriarcal. Os “salvadores da pátria”, que surgem e se retroalimentam da ignorância da população, impossibilitando a construção de uma estrutura de sociedade democrática, humana, justa. Daí a importância de uma população esclarecida para além do conhecimento da História, sobretudo compreendendo a perversão da alteridade. Especialmente agora com as Fake News produzidas nas redes de internet.

Portanto, é vital a comunicação com essa camada da população desinformada, vulnerável a projetos políticos sem compromisso com o bem comum. Somente a cidadania organizada, consciente da importância desse processo de comunicação pode barrar a bestialização das massas pelo capital.

 

*Yanne Teles é professora, advogada e integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD

Edição: Rodrigo Durão Coelho

Fonte: Agência Brasil

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