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Ricardo Eletro detalha plano recuperação judicial, que tem grandes desafios à frente

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SÃO PAULO – A Ricardo Eletro, uma das maiores varejistas do país, pertencente ao grupo Máquina de Vendas, apresentou, nesta terça-feira (13), a minuta do seu plano de recuperação judicial (RJ) à 1ª Vara de Falência e Recuperações Judiciais de São Paulo. O documento detalha as diretrizes do plano de RJ, como a ordem de pagamento dos credores, entre outros pontos.

O pedido de recuperação judicial do grupo foi aprovado pelo juiz Tiago Limongi, da 1ª Vara de Falências, em agosto deste ano. De acordo com informações do processo, as dívidas somam R$ 4,010 bilhões, o que torna a recuperação judicial uma das maiores já realizadas no setor varejo.

Por meio de nota, a empresa disse que formará unidades produtivas isoladas (UPIs), que reunirão imóveis do grupo em blocos, para facilitar a venda dos ativos e, assim, acelerar a quitação das dívidas.

Os pagamentos aos credores serão feitos na seguinte ordem: primeiro serão pagos os créditos trabalhistas, em até 12 meses, com teto de 150 salários mínimos por trabalhador; em seguida serão pagos os créditos com garantia real ou quirografários (devidos a detentores de títulos de dívida do grupo), assim que a empresa reunir um caixa de R$ 100 milhões, no mínimo, por ano; e, por fim, microempresas e pequenas empresas receberão créditos de até R$ 1,5 mil em 24 meses (valores que superarem esse limite seguirão a mesma regra estabelecida para os quirografários).

O processo de recuperação judicial da Máquina de Vendas é assessorado juridicamente pelo escritório Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados e a assessoria financeira é feita pela Pantalica Partners.

Salvatore Milanese, sócio-fundador da Pantalica, disse que o plano de RJ prevê uma desalavancagem importante, que permitirá ao negócio ter uma dívida mais equilibrada. “Agora iniciaremos a negociação com credores que prevê, entre outras medidas, a colocação de ativos à disposição para pagamento acelerado da dívida”, disse.

Milanese afirmou ainda que, diante da pandemia, a Máquina de Vendas teve que fechar cerca de 300 lojas e está mudando o foco do negócio para ser uma plataforma digital.

“Esse novo modelo de negócio funcionará principalmente com rede de parceiros que, aproveitando da logística dos canais de distribuição da Máquina de Vendas, pretendem ser pontos móveis de vendas, atendendo a capilaridade regional”, diz Milanese.

Por meio de nota, o CEO da Ricardo Eletro, Pedro Bianchi, enfatizou que a rede está buscando ‘criar uma nova companhia”, com representantes espalhados em vários estados e com um site com mais de 4 milhões de visualizações por mês. Ele disse ainda que o negócio está focado “na multicanalidade, interoperabilidade, logística, inclusão, diversidade e no baixo custo”.

“Muitas novidades estão por vir, esperamos superar os erros do passado, capturar o máximo dos acertos também, e temos confiança de que, com humildade, respeito aos credores e à sociedade buscaremos novos patamares”, afirmou o CEO.

Na nota enviada à imprensa, a empresa disse ainda que o relacionamento da Ricardo Eletro com os clientes não será afetado. “Compras e entregas serão atendidas nos prazos, sejam elas realizadas pela Ricardo Eletro, por lojas parceiras, no site ou no aplicativo”, diz o comunicado.

Grandes desafios à frente

Luiz Deoclecio Fiore, administrador judicial e CEO da consultoria OnBehalf, disse que as dívidas tributárias devem ser um dos grandes desafios do processo de recuperação judicial da Ricardo Eletro e que o plano não será viabilizado facilmente.

Fiore destaca também que a prisão do fundador da empresa, em julho, só agravou a situação, pois prejudicou a imagem da varejista, em um momento já delicado para o negócio.

Em julho deste ano, Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro, e sua filha, Laura Nunes, foram presos por sonegação fiscal. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, a Ricardo Eletro embutia no preço dos produtos vendidos o valor correspondente ao ICMS, mas não fazia o repasse ao governo estadual, sonegando o imposto.

Na ocasião a empresa informou que Nunes e os familiares não faziam mais parte do seu quadro de acionistas e nem mesmo da administração da companhia desde 2019. Mas a empresa reconheceu as dívidas tributárias e disse que o pagamento dos tributos passados estava em discussão avançada com o estado.

“É uma empresa com bastante dificuldade para pagar credores e o Fisco, sem considerar a questão do atual cenário econômico e o fato de que hoje existem grandes grupos mais sólidos e com mais competitividade que a Ricardo Eletro. Esses desafios devem atrapalhar bastante a viabilidade da recuperação judicial”, avalia Fiore.

História da empresa

A Ricardo Eletro surgiu em 1989, em Divinópolis, cidade do interior de Minas Gerais. Depois de expandir suas operações para o interior do estado, chegou à capital mineira em 1999. Após dez anos, estava entre as cinco maiores empresas de varejo de eletroeletrônico do Brasil.

A partir de 2002, o grupo iniciou sua expansão para outros estados com a abertura de lojas no Espírito Santo e, em 2005, na Bahia. Em 2007, a Ricardo Eletro comprou a rede de lojas MIG, com forte atuação no centro-oeste. E em 2008, a Ricardo Eletro chegou ao Rio de Janeiro, onde abriu 70 lojas em 6 meses.

Em 2009, o grupo lançou seu e-commerce oficial e, em 2010, anunciou a fusão com a Insinuante, criando o terceiro maior grupo varejista do Brasil, a holding Máquina de Vendas.

Também em 2010, a Máquina de Vendas incorporou a Citylar, que atuava no centro-oeste e norte, e a Eletroshop, com atuação em Pernambuco e em outros estados no Nordeste. Em 2011, ainda, incorporou a rede regional Salfer, com atuação no Paraná e Santa Catarina.

No ano de 2016, o grupo passo por uma reestruturação e consolidou toda a operação na marca Ricardo Eletro, otimizando as atividades e reformulando lojas.

Além do processo criminal por sonegação fiscal, que envolve a família fundadora do grupo, a empresa foi duramente afetada pela crise econômica provocada pela Covid-19 e pelas medidas de distanciamento social, sobretudo pelo fato de se tratar de um negócio fortemente focado em lojas físicas.

O grupo teve uma redução de cerca de 70% da sua receita durante a pandemia.

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Fonte: Agência Brasil

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