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Dia Mundial da Alimentação evidencia a importância de comida

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Quando se fala de alimentação, é necessário refletir sobre a qualidade da comida que chega à mesa de cada indivíduo, seja em nível nacional, estadual, municipal ou, até mesmo, familiar. Existe muita produção alimentar de qualidade no Brasil – e isso vai muito além da simples produção orgânica.

A qualidade da nutrição, a aumento da fome no Brasil, a redução do auxílio emergencial em plena pandemia e os ataques à agricultura familiar estão no centro dos debates e das ações da Jornada Nacional de Lutas contra a Fome e por Soberania Alimentar. A jornada realiza mais de 100 atividades em 18 estados nesta sexta-feira (16), Dia Mundial da Alimentação, e também no sábado.

Em relação à qualidade da alimentação, nutricionistas alertam sobre a importância de se manter uma dieta variada e recheada de nutrientes e minerais importantíssimos para o bom funcionamento do corpo e da mente. Uma delas é a Melissa Lenz, nutricionista e coordenadora do Centro de Apoio e Promoção de Agroecologia – Núcleo Santa Cruz.

Leia mais: Via Campesina inicia a Jornada Nacional de Alimentação

Lenz salienta a importância das sementes crioulas na manutenção da soberania alimentar e de uma agricultura consciente, portanto, agroecológica. O momento, em nível nacional, é do agronegócio, já que a Bolsonaro (sem partido) não interessa a qualidade dos alimentos que são produzidos. Porém, diversas organizações e a sociedade civil trabalham para reestabelecer uma alimentação de qualidade na mesa do público consumidor.

A nutricionista alerta que o Brasil retornou ao grupo de países que integram o Mapa Mundial da Fome, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE). Para resolver o problema, são necessárias políticas públicas que nos aproximem, por exemplo, da Finlândia, que busca índices cada vez menores na utilização de agrotóxicos na produção nacional, assim como outros países europeus. A orientação de Lenz à população é de que os alimentos sejam buscados em feiras agroecológicas e cooperativas familiares, além da realização de uma autocrítica sobre os alimentos que a população consome.

A maior produção de arroz orgânico da América Latina, hoje, é do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). As famílias assentadas esperam colher mais de 300 mil sacas do produto na safra deste ano. Em contrapartida, o governo nacional age na contramão desse modelo produtivo. Apenas em 2019, cerca de 500 agroquímicos foram liberados.

“Os assentamentos da região metropolitana de Porto Alegre foram os primeiros a plantar arroz orgânico. Mais tarde, outras áreas da reforma agrária no estado também começaram a se organizar por meio da cooperação para produzirem o alimento. Isso tornou o movimento o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA)”, explica o MST.

Porém, a pandemia deixou sequelas sociais muito grandes em várias populações, em especial nos países da América Latina, com destaque para o Brasil, segunda nação com o maior número total de óbitos, com 152,4 mil mortes registradas até esta sexta-feira (16), segundo a Universidade de Hopkins.

Em nosso país, temos um exemplo relatado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO): Diná Suruí. Ela e o marido, ambos indígenas, foram premiados como campeões no concurso de qualidade dos Cafés Robustos Amazônicos em 2019. Com 34 anos de idade, Suruí é referência na família e na aldeia.

“Sei que muitas mulheres não têm essa autonomia que eu tenho, mas todas podem ter. A partir do momento que uma mulher pode trabalhar e se desenvolver, isso faz a diferença em sua vida, na família e em sua comunidade. Todos precisamos uns dos outros, isso é igualdade. Ter autonomia nos faz caminhar com mais firmeza diante da vida”, comenta a indígena.

No âmbito estadual existem várias organizações não governamentais (ONGs) envolvidas na promoção e valorização de uma alimentação saudável e comprometida com o bem-estar da população. Uma delas é o Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA), que atua em diversas regiões do Sul do Brasil, com núcleos em Pelotas, Santa Cruz do Sul, Erechim, Verê e Marechal Cândido Rondon.

O engenheiro agrônomo, mestre em Agroecossistemas e doutor em Desenvolvimento Rural, Ulisses Pereira Mello, afirma que estes núcleos foram criados por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que “estimulava justamente a criação de Núcleos de Estudos de Agroecologia e de Produção Orgânica (NEA)”.

Segundo o doutor, tanto o CAPA – Núcleo Erechim, quanto o Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP), apoiaram o surgimento da Universidade Federal em Erechim, em 2010, e são parceiros em atividades relacionadas à “agroecologia, agricultura urbana, sistemas agroflorestais, homeopatia, meliponicultura, entre outros”.

Ainda de acordo com Mello, várias ações, com o objetivo de aproximar produtores e produtoras do público consumidor, têm sido implementadas pelas ONGs desde 2012. Fortalecidas pela entrega de cestas básicas agroecológicas e, “mais recentemente, da Feira de Economia Solidária e Agroecologia que acontece no campus Erechim semanalmente durante o período das aulas”, complementa o professor.

“O Dia Mundial da Alimentação, comemorado desde 1981, no dia 16 de outubro, quer conscientizar sobre a importância da alimentação saudável, a problemática da fome, pobreza e desnutrição no mundo”, segundo a engenheira agrônoma, com pós-graduação em desenvolvimento regional sustentável e estratégico, Ingrid Margarete Giesel, que coordena o CAPA – Núcleo Erechim. “Precisamos tornar as cadeias alimentares mais fortes, sustentáveis e resilientes. O tema para 2020 é cultivar, alimentar e preservar juntos. As nossas ações são o nosso futuro”, complementa Giesel.

 

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Marcelo Ferreira

Fonte: Agência Brasil

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