Atraso e deboche de maquinista motivam protesto na estação de

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Passageiros da Supervia, no Rio de Janeiro, enfrentaram mais uma manhã de caos nesta quarta-feira (22). Usuários do transporte relataram atrasos desde às 6h30 na estação Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e realizaram um protesto na linha férrea contra a má qualidade do serviço.

O protesto teria começado após reclamação dos usuários sobre o atraso para a saída do trem, que foi respondida pelo maquinista com ironia. “Vocês estão com pressa? Vão de Uber!”, teria falado o trabalhador aos usuários segundo depoimentos.

A partir daí, dezenas de pessoas ocuparam a linha férrea. Houve bate-boca com a polícia e quebra-quebra na estação, tanto na plataforma quanto nas catracas e nas bilheterias. Um homem chegou a sentar no trilho.

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De acordo com a Supervia, o sistema de áudio da estação informou que o intervalo no ramal Saracuruna havia sido ampliado devido a furtos de cabos nos últimos dias que prejudicaram o sistema de sinalização. 

A manifestação em Gramacho interrompeu a circulação de trens entre as estações Corte Oito e Saracuruna e nas extensões Vila Inhomirim e Guapimirim. A Polícia Militar chegou a ser acionada para liberar a via tomada por passageiros. 



Protesto de passageiros ocupou linha férrea / Reprodução

Por volta das 8h, o ramal Saracuruna voltou a operar apenas no trecho entre Duque de Caxias e Central do Brasil. Já o trecho entre Saracuruna e Gramacho operava com intervalo médio de 40 minutos. A circulação foi normalizada no final da manhã.

Em nota, a Supervia lamentou atos de “depredação do patrimônio público, que colocam em risco a operação ferroviária, bem como a integridade de colaboradores e clientes da concessionária”.

Rotina de transtornos

Desde a última segunda-feira (20) passageiros enfrentam problemas com intervalos irregulares nas estações da Supervia. O ramal de Japeri, Deodoro, Santa Cruz e Saracuruna circularam com atrasos na terça-feira (21). Apenas o ramal Belford Roxo, apontado como o pior do sistema ferroviário pela CPI dos Trens, operou normalmente.

Além da superlotação e o mau estado de conservação comum nos ramais, os parlamentares constaram  a presença de tráfico de drogas e um alto número de pessoas em situação de rua às margens da linha férrea em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

O deputado Waldeck Carneiro (PSB), relator da CPI dos Trens, chamou atenção para o abandono. “Dos quatro ramais, este é disparado o pior. Pessoas vivem ao longo da linha férrea, numa situação de insalubridade, indignidade e desumanidade. Elas podem abrir a porta de suas casas e o trem passar por cima. Vimos também a olho nu o tráfico de drogas e os ‘mini lixões'”, destacou.

Multa

O governo do estado, por meio do Procon-RJ, aplicou mais sete multas à Supervia por falha na prestação de serviço. As sanções somam mais de R$ 6 milhões. Apenas na primeira quinzena de maio, duas sanções totalizaram R$ 3 milhões.

Segundo o órgão, outros 10 autos de infração seguem os trâmites legais e podem resultar em novas multas. Durante as fiscalizações realizadas por agentes do Procon nas doze estações, foram constatados problemas como superlotação, atrasos e ausência de acessibilidade.

A concessionária foi multada por irregularidades nas estações Central do Brasil, São Cristóvão, Pavuna, Honório Gurgel, Rocha Miranda, Ricardo de Albuquerque, Anchieta, Olinda, Praça da Bandeira, Mangueira, Riachuelo e Engenho de Dentro. 

Fonte: BdF Rio de Janeiro

Edição: Clívia Mesquita





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