Extradição de Assange para os EUA é “recado” para o

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No caso de Julian Assange realmente ser enviado aos Estados Unidos, qualquer jornalista pode estar na mira por revelar crimes de Estado, afirma a advogada e jornalista Sara Vivacqua em entrevista ao Brasil de Fato.

A ministra do Interior do Reino Unido, Priti Patel, autorizou na sexta-feira (17) a extradição do jornalista a pedido de Washington. Isso significa que ele será entregue a um governo que usa uma lei contra a espionagem da Primeira Guerra Mundial para processá-lo.

Após a autorização da extradição, foi aberto um prazo de 14 dias para a defesa apresentar uma possível contestação.

“É um precedente perigoso para a liberdade de expressão. A gente precisa lembrar que o Assange está sendo extraditado e acusado de espionagem por uma lei de 1917 que foi feita para perseguir pacifistas anti-primeira-guerra. Ele está sendo classificado de espionagem por [condutas] típicas de jornalistas, conversar com fontes – no caso, Chelsea Manning – requisitar informação da fonte, reter essa informação e publicar”, destaca Vivacqua.

A advogada, que mora no Reino Unido e tem diálogo com pessoas envolvidas na defesa, afirma que as revelações de Assange de crimes de guerra dos Estados Unidos em suas invasões no Oriente Médio também foram publicadas por veículos de comunicação como The Guardian, Le Monde, New York Times e El País.

As implicações da extradição para os direitos humanos serão discutidas em live nesta quinta-feira (23), às 9:30, com Stella Assange, esposa de Assange, Jennifer Robinson, advogada de Assange (do Escritório Doughty Street Chambers), Vijay Prashad, jornalista (Assembleia Internacional dos Povos) e Zuliana Lainez, vice-presidenta da FIJ (Federação Internacional dos Jornalistas)

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Vivacqua destaca que, se o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tivesse a intenção, poderia acabar com o processo de extradição contra Assange, mas prefere não fazê-lo e continuar com um processo iniciado pelo então presidente Donald Trump. Além disso, Reino Unido e Austrália, país natal de Assange, também poderiam tomar decisões políticas e garantir a liberdade para Assange, mas preferem não fazê-lo.

Para a advogada, trata-se de um caso de lawfare, a manipulação das leis e do judiciário contra inimigos políticos. “Lawfare não significa ganhar a batalha final ou perder a batalha final, significa levar o inimigo ao extremo, ao extremo da humilhação, ao extremo da situação mental e levar a família junto, é um recado para que as pessoas não façam como essa pessoa fez”, afirma a advogada e jornalista. 

Edição: Arturo Hartmann





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