Talibã pede ajuda internacional após terremoto que matou mais de mil pessoas no Afeganistão

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Uma agência de ajuda humanitária, a Intersos, disse estar pronta para enviar uma equipe médica de emergência composta por dois cirurgiões, um anestesista e duas enfermeiras.

Número de mortos deve aumentar

 

A maioria das vítimas confirmadas até agora vivia nos distritos de Gayan e Barmal, em Paktika, disse um médico local à BBC. Uma aldeia inteira em Gayan teria sido destruída.

“Houve um estrondo e minha cama começou a tremer”, disse um sobrevivente, que se identificou apenas como Shabir, à BBC.

“O teto caiu. Fiquei preso, mas pude ver o céu. Meu ombro estava deslocado, minha cabeça estava ferida, mas consegui sair. Tenho certeza de que entre sete a nove pessoas da minha família, que estavam na mesma sala que eu, estão mortas”.’

A comunicação na área atingida é difícil porque torres de telefonia celular foram destruídas — Foto: Getty Images/Via BBC

À BBC, um médico que atua em Paktika disse, em condição de anonimato, que profissionais da saúde estavam entre as vítimas.

“Já não tínhamos funcionários ou instalações hospitalares suficientes antes do terremoto, e agora o terremoto arruinou o pouco que tínhamos. Não sei quantos dos meus colegas ainda estão vivos”, afirmou.

A comunicação após o terremoto é difícil por causa dos danos às torres de telefonia móvel e o número de mortos pode aumentar ainda mais, disse outro jornalista local na área à BBC.

“Muitas pessoas não estão cientes da condição de seus parentes porque seus telefones não estão funcionando. Meu irmão e sua família morreram, e eu só soube depois de muitas horas. Muitas aldeias foram destruídas”, disse o jornalista.

O Afeganistão é um país propenso a terremotos, pois está localizado em uma região do planeta com placas tectônicas ativas. Seu território compreende várias linhas de falha, incluindo a falha de Chaman, a falha de Hari Rud, a falha de Badakhshan Central e a falha de Darvaz.

Na última década, mais de 7.000 pessoas foram mortas em terremotos no país, segundo o Departamento de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU. Há uma média de 560 mortes por ano em decorrência dos sismos.

Mais recentemente, em janeiro, terremotos consecutivos no oeste do país mataram mais de 20 pessoas e destruíram centenas de casas.

Mesmo antes da tomada do poder central pelo Talibã, os serviços de emergência do Afeganistão estavam sobrecarregados para lidar com desastres naturais – com poucas aeronaves e helicópteros disponíveis para os socorristas.

Mas, nos últimos meses, o país experimentou uma falta aguda de suprimentos médicos, em meio a uma escassez generalizada de quase todos os itens essenciais. A retirada das forças militares americanas implicou na saída de boa parte dos trabalhadores de agências internacionais.

E o governo do Talibã, que adota a lei islâmica Sharia e recentemente voltou a proibir a educação para mulheres e adolescentes, é tido como um pária internacional, com o qual poucos países estabelecem relações próximas.

Segundo a ONU, 93% das famílias no Afeganistão sofrem de insegurança alimentar. Lucien Christen, da Cruz Vermelha, disse que a “situação econômica terrível” do Afeganistão significa que “eles [as famílias afegãs] não conseguem colocar comida na mesa”.

Fonte: G1





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