Com Haddad e Alckmin, MST inaugura sua primeira fábrica de

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O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) inaugurou, nesta sexta-feira (24), sua primeira fábrica de laticínios, em Andradina (SP), no interior paulista, a 600 km de São Paulo. 

Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin (PSB), pré-candidato a vice-presidente, participaram da inauguração. O petista afirmou que a Coapar será “fundamental” para o desenvolvimento da região.  

“Eu tenho uma relação de muito respeito e admiração com o MST e essa fábrica reforça esse sentimento. Olha, o compromisso que temos que assumir é que não há como ter terra improdutiva, enquanto tem gente passando fome”, finalizou Haddad. 

Alckmin disse estar “feliz nesta grande indústria do MST em Andradina”. “A história do MST é de luta e conquistas e o cooperativismo da Coapar é um sucesso”, disse Alckmin, vencendo a resistência da plateia.

Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST, afirmou que a experiência pode ser expandida pelo país. 

“Essa inauguração é a celebração da experiência da colaboração, colaborar é importante, crescer juntos. Quando um grupo desistiu dessa cooperativa, alguns jovens decidiram continuar e hoje colhem o fruto dessa insistência” 



O vice de Lula usou boné do MST e fez piada sobre chuchu durante o evento / Igor Carvalho

A indústria 

Em 1989, um grupo de trabalhadores rurais do MST, da região de Campinas, no interior de São Paulo, ocupou a Fazenda Timboré em Andradina, onde começaram a produzir leite. 

Em 1997, esse grupo fundou a Cooperativa de Agropecuária dos Assentados e Pequenos Produtores da Região Noroeste do Estado de São Paulo (Coapar). Hoje, a cooperativa alcança 24 assentamentos do MST, distribuídos em 12 municípios. 

Entre os trabalhadores do MST, que ocuparam a Fazenda Timboré, estava Lourival Plácido, que hoje é presidente da Coapar e membro da Executiva estadual do MST, que celebrou a inauguração.

“É muito importante para toda a região, a inauguração de nossa fábrica hoje. São quase mil famílias assistidas, o que impacta toda a economia local”, contou Plácido, que pretendia ter inaugurado a indústria em 2020, mas o processo foi atropelado pela pandemia. 

“Quando estávamos avançando com as obras, tínhamos recursos aprovados, depois de todo usar dois anos de silêncio do governo (Michel) Temer, e do boicote do governo de Jair Bolsonaro (PL), que tentou derrubar nosso projeto de R$ 13 milhões para R$ 1 milhão. No final, pressionamos e ficou em R$ 9 milhões”, lembra Plácido. “No entanto”, continua o líder do MST, “veio a pandemia e tudo ficou muito mais caro, principalmente o cimento, que subiu 30%”, explica Plácido. 



Programa de crédito do MST junto com investidores viabilizou a fábrica / Igor Carvalho

A obra só foi concluída após a pandemia, quando a Coapar acessou R$ 3,5 milhões na Finapop, programa de crédito criado pelo MST, em parceria com um grupo de investidor. 

Com 160 tanques de refrigeração, sendo 100 individuais e 60 coletivos, espalhados em lotes do MST na região, que armazenam leite da produção de 900 famílias, a Coapar pretende produzir 55 mil litros de laticínios por dia e até 2 milhões por mês.

Edição: Rodrigo Durão Coelho





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