Ibovespa recua 1,45%, no menor patamar desde novembro de 2020 com temores de recessão e risco fiscal; dólar sobe a R$ 5,22

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O Ibovespa fechou em forte queda nesta quinta-feira (23), recuando 1,45%, aos 98.080 pontos, no menor nível desde novembro de 2020. O pregão que contou com um volume de R$ 24,7 bilhões negociados. O principal índice da Bolsa brasileira sentiu o peso da queda das commodities e não acompanhou a performance dos benchmarks americanos, que conseguiram fechar em alta.

Por aqui, riscos fiscais domésticos também chamavam a atenção em meio a discussões sobre possíveis medidas do governo para compensar a alta dos preços de combustíveis.

Nos Estados Unidos, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq avançaram, respectivamente, 0,64%, 0,95% e 1,62%, mesmo em mais um dia marcado pelo crescimento das chances de os Estados Unidos enfrentarem uma recessão ainda neste ano. Em relatório divulgado no meio da tarde, o UBS aumentou de 40% para 69% a probabilidade de a maior economia do mundo retrair em 2022.

Mais cedo, ainda nos EUA, houve a divulgação de que o número de pedidos de seguro-desemprego foi maior que o esperado e de que os PMIs desaceleraram.

A combinação dos dois fatores derrubou os treasuries yields. Os títulos do tesouro estadunidenses com vencimento em dez anos tiveram seus rendimentos recuando sete pontos-base, para 3,087%. Os para dois anos tiveram suas taxas com baixa de 3,7 pontos, para 3,019%.

“Tivemos um forte movimento de fechamento da curva americana. Este movimento está ligado à percepção de que o risco de recessão global, que está aumentando no mercado e que está fazendo os preços das commodities realizarem”, explica Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo Investimentos. “Há uma melhora da percepção quanto à inflação global, o que tira a pressão das curvas de juros”, complementa.

O barril de petróleo Brent para agosto fechou em queda de 1,61%, aos US$ 109,94. O minério de ferro teve alta de 6,1%, se recuperando das recentes quedas, mas ainda negocia longe dos seus valores recentes, a US$ 116,05 a tonelada.

Ainda de acordo com Costa, a curva de juros brasileira, que também recuou em bloco, acompanhou a tendência americana. Os DIs para 2023 tiveram suas taxas caindo quatro pontos-base, para 13,51%, e os DIs para 2025 recuaram 12 pontos, para 12,22%. Na ponta longa, os DIs para 2027 e 2029 tiveram, ambos, baixas de nove pontos, indo a 12,18% e 12,36%.

Com isso, companhias de crescimento e varejistas, muito dependentes do nível das taxas de juros, foram destaques do Ibovespa. As ações ordinárias da Locaweb (LWSA3) subiram 9,01%, as da Petz (PETZ3), 6,26% e as da Magazine Luiza (MGLU3), 4,51%.

“A alta das taxas torna mais desafiadoras as condições de crédito e empréstimo, o que inibe o consumo, assim como também tornam mais difíceis as captações”, explica Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

Se o recuo das commodities derrubou a curva de juros, do outro lado, ele foi responsável pela desvalorização do real frente a moeda americana, com investidores de olho na balança comercial, e também pela baixa do Ibovespa.

O dólar comercial fechou avançou 1,02%, a R$ 5,229 na compra e a R$ 5,230 na venda.

“O mercado começa a antecipar a possibilidade de uma recessão e colocar isso nos preços. Anteriormente, a expectativa era que a economia americana desaceleraria lentamente, no segundo trimestre do ano que vem”, explica Luiz Adriano Martinez, portfolio manager da Kilima Asset. “A bolsa brasileira vinha se beneficiando da alta de commodities, vista como hedge global para inflação, e agora com a desaceleração ela é mais prejudicada”.

Martinez lembra ainda que, além da questão americana, o fato de a China ter fechado siderúrgicas, por conta do aumento dos estoques de aço, também fez pressão no Ibovespa.

Siderúrgicas e mineradoras figuraram entre as maiores quedas do índice, com as ações preferenciais do tipo A da Usiminas (USIM5) caindo 3,65% e as ações ordinárias da Vale (VALE3) recuando 3,65%. As petroleiras PetroRio (PRIO3) e 3R Petroleum (RRRP3), por sua vez, caíram 3,43% e 3,74%.

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