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Mais de dez mil obras de museus mapeadas

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A Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) avança no processo de mapeamento dos acervos museológicos sob a custódia da pasta, compreendendo mais de 10 mil itens alocados por cinco museus e outros espaços. O objetivo é identificar, descrever, medir, fotografar e avaliar o valor das peças para alimentar um banco de dados que vai ajudar no aperfeiçoamento da política de gestão de acervos da Secec, recomendando aquisições e descartes, ações previstas na Lei Orgânica da Cultura (LOC).

O secretário de Cultura, Bartlomeu Rodrigues, explica que catalogar obras como a de Roberto Burle Marx (sem título) do Museu de Arte de Brasília (MAB) fortifica a “política de preservação e conservação” dos bens | Fotos: Divulgação/Secec

O principal objetivo desse processo é compor um banco de dados que possibilite a valorização e salvaguarda, planejamento e pesquisa, conhecimento de potencialidades e educação patrimonial. A estimativa para a conclusão dos trabalhos é 2022.

“O Distrito Federal precisa saber, entre doações e compras, a extensão das obras que possui salvaguardas em nossas instituições. Ter essas informações catalogadas fortifica as ações da Secretaria em sua política de preservação e conservação dos seus bens de arte”, conta o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues.

Se já tivéssemos todo o nosso acervo mapeado e pesquisado, poderíamos estar compartilhando muito mais esses tesouros com o público nas redes sociais”Daniele Pestana, museóloga da Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Público é o maior beneficiado

A museóloga da Secec, Daniele Pestana explica que, ao pé da letra, só constitui acervo aquilo que passou pelo crivo de um trabalho dessa natureza. Ela é a autora do Termo de Referência (TR) – documento com estudos técnicos e informações orientadoras à licitação –, mediante o qual a pasta obteve recursos da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), no valor de R$ 300 mil, para custear o trabalho de consultores externos.

“A pandemia nos deu tempo para pensar e desenhar todo esse trabalho. Se já tivéssemos todo o nosso acervo mapeado e pesquisado, poderíamos estar compartilhando muito mais esses tesouros com o público nas redes sociais”, aponta.

Cestaria do Museu dos Povos Indígenas será cadastrada. Recursos da ordem de R$ 300 mil são da Unesco

Levantamento  árduo e em três fases

A primeira fase refere-se à mudança de status do objeto, que se torna museológico, com valor chancelado por um especialista;

A segunda é composta por processos museológicos de classificação, catalogação e documentação;

A terceira fase consiste na comunicação e na disseminação da informação, a partir da exposição e pesquisa do objeto, garantindo acesso ao público e à pesquisa.

Os equipamentos culturais da Secec que dispõem de acervos museológicos e serão contemplados por essa contratação são Museu de Arte de Brasília (MAB), Museu Nacional da República (MUN), Memorial dos Povos Indígenas (MPI), Museu Vivo da Memória Candanga (MVMC) e Catetinho.

Além da LOC, o Decreto-Lei nº 25 de 1937, considerado pelos museólogos o principal diploma de proteção do patrimônio cultural brasileiro, e a Constituição Federal de 1988, no art. 216, determinam a custódia cuidadosa do patrimônio cultural que esses objetos, em sua materialidade e simbolismo, representam em termos de identidade e memória.

O trabalho de mapeamento desse acervo terá a participação de quatro consultores, com quatro perfis diferentes. O primeiro vai trabalhar as peças do MAB e do MUN. O segundo, o MPI. O terceiro, o Catetinho e o Museu Vivo da Memória Candanga. O quarto vai fazer todo o mapeamento do acervo da Secec que não está nos museus.

Esses especialistas entregarão três produtos, que precisarão ser aprovados pelos servidores – dois museólogos e duas restauradoras – da Secec: um documento sobre mapeamento das coleções, outro sobre o estado de conservação das peças e, a partir destes, um estudo propositivo para auxiliar a política de gestão de acervo. É uma peça-chave para tornar os museus menos vulneráveis a ingerências políticas e administrativas, trazendo essas riquezas para a égide do estado.

MAB e MUN

De luva e máscara, equipamento básico para esse tipo de trabalho mesmo antes da pandemia, o museólogo Gustavo Nascimento Paes (graduação e mestrado) tem pela frente mais de 2.800 peças que formam o acervo comum do MAB e do MUN. Ele divide a tarefa com duas colegas de profissão. Ele conta que o acervo desses museus é muito representativo, passando por Carybé, (argentino/brasileiro que se radicou em Salvador), Alberto da Veiga Guignard e Inimá de Paula, dentre outros.

Além de obras de Athos Bulcão, acervo do MAB e do MUN conta com peças de Carybé e Guignard, dentre outros

“Estamos em um marco da arquitetura [Museu Nacional]. Podemos observar alguns desafios para a conservação e guarda desses bens patrimoniais. O contato direto com as obras exige atenção, não só para manusear como também na revisão das informações. Um olhar apurado para perceber como a obra vem se comportando, se possui perda da pintura, algum craquelado [pequenas fissuras] e até mesmo diferença de coloração. É um trabalho bastante desafiador e instigante”.

Gustavo, que em 2014 organizou o “Seminário Interdisciplinar em Museologia” para o Museu Hering, em Blumenau (SC), tem consciência de que está lidando com um bem que dialóga com o passado, o presente e se constitui em direito para as gerações futuras. “O acervo é muito importante, não só para Brasília, mas para o nosso país”, observa.

Catetinho e Museu Vivo

Com mais de 15 anos de experiência profissional em documentação museológica e gestão de acervo, a consultora Tariana Maici de Souza Stradiotto, formada em História pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), começou a trabalhar no mapeamento da coleção do Catetinho no início de abril. Está em curso o levantamento do inventário e a verificação do estado de conservação das obras. No segundo semestre, ela se ocupará do Museu Vivo da Memória Candanga.

Inventário do Museu Vivo da Memória Candanga terá início no segundo semestre do ano

“O inventário consiste em listar as peças encontradas, anotando informações como denominação, fabricante, técnica e medidas. Coloco etiquetas com a numeração provisória das peças, afixadas por meio de linha de algodão, nunca com etiqueta adesiva”, explica ela.

Nessa etapa, a historiadora registra o estado de conservação dos itens da coleção, identificando particularidades, como obra trincada, desgastada, com sujidade, etc. Tariana também fotografa as peças.

“O Catetinho tem um acervo bem interessante, variado, com peças que estavam no local na época em que o prédio estava em uso. Outras são peças cenográficas, como os cestos com bolos e pães que estão na cozinha. Eu ainda estou fazendo a análise das informações que consegui localizar para tentar descobrir mais detalhes sobre a procedência das peças”, remata a consultora.

*Com informações da Secretaria de Cultura

Fonte: Agência Brasília

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