Quem acompanha os bastidores da política de Brasília sabe que o pragmatismo e o peso da história costumam falar mais alto do que qualquer ruído momentâneo. Neste sábado (23), durante o tradicional almoço do Divino, em Planaltina, assistimos a mais um lance cirúrgico desse tabuleiro.
Após vir a público externar uma suposta “decepção” com a governadora Celina Leão (PP), o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) tratou de baixar a temperatura e mandar um recado claro de união: quer a aliada reeleita.
O emedebista fez questão de usar a palavra, logo após o pronunciamento do ex-secretário de Cultura Cláudio Abrantes — que defendia a pré-candidatura de Ibaneis ao Senado —, para cravar: “Nós não podemos esquecer da nossa governadora Celina, que será a nossa candidata reeleita”. Na sequência, destacou “esse grupo tem divergências, mas divergências nós temos até dentro de casa. Esse é o caminho da conciliação, do respeito, da integração. Vamos caminhar todos juntos”.
Para bom entendedor, a fala de Ibaneis é um banho de realidade que joga por terra qualquer tese de rompimento definitivo. E o motivo é muito simples: a relação entre Ibaneis e Celina foi forjada no fogo alto e tem raízes profundas, difíceis de arrancar com um sopro de insatisfação conjuntural.
Essa aliança começou a ser desenhada lá atrás, na campanha de 2018. Naquela época, Ibaneis Rocha era um outsider na política local, patinando com menos de 5% das intenções de voto. Quase ninguém apostava naquela candidatura. Celina Leão foi uma das primeiras a abraçar o projeto político. Daquela arrancada improvável até os dias de hoje, o que se viu foi uma trajetória marcada por lealdade e amizade recíprocas, resistindo a tempestades políticas.
Ao verbalizar que “divergências existem até dentro de casa”, Ibaneis sinaliza que o incômodo recente foi apenas uma DR (discussão de relação) familiar, e não um divórcio político. E o almoço do Divino virou o cenário perfeito para selar a paz.