Entre 2019 e 2025, o programa Adote uma Praça mobilizou R$ 72.088.442 em investimentos privados e formalizou 249 termos de cooperação voltados à manutenção e recuperação de áreas públicas no Distrito Federal. Somente em 2025, foram firmadas 83 novas parcerias — o maior número anual desde a criação da iniciativa. Atualmente, 170 termos permanecem vigentes, e a Secretaria de Projetos Especiais do Distrito Federal (Sepe-DF) projeta ampliar as adesões em 2026.
Para o secretário de Projetos Especiais, Marcos Teixeira, os números refletem a consolidação do programa. Segundo ele, o volume de recursos demonstra a confiança do setor privado. “Quando se fala em R$ 72 milhões em investimento, é um valor muito expressivo. O programa foi ganhando credibilidade ao longo dos anos. As empresas passaram a enxergar que existe segurança jurídica, que há um termo formal de cooperação com o Estado e que o processo é mais ágil”, afirma.
De acordo com o gestor, a previsibilidade também pesa na decisão de aderir. As empresas podem investir em áreas próximas às suas sedes ou locais de atuação, contribuindo para a melhoria do entorno e para o desenvolvimento urbano.
Uso público e ganho indireto
O programa não permite exploração comercial direta do espaço adotado. Por isso, a maioria das parcerias ocorre nas proximidades das próprias empresas ou residências dos interessados. “O ganho é indireto. Quando a empresa melhora o espaço próximo, melhora a circulação, a segurança e valoriza a área. A adoção mais distante acontece, mas é mais rara”, explica o secretário.
Segundo a Sepe-DF, o impacto vai além da dimensão estética. A recuperação de áreas degradadas tem estimulado a ocupação e fortalecido o convívio comunitário, reduzindo situações de abandono.
Convivência e transformação urbana
Em um dos casos acompanhados pela pasta, um espaço antes degradado recebeu manutenção, instalação de canteiros e bancos. Após a intervenção, moradores idosos passaram a frequentar a área diariamente, transformando o local em ponto de encontro.
Entre os exemplos de maior visibilidade está o entorno do Sesi Lab, na área central de Brasília. A intervenção conectou três praças no trecho entre o Setor de Diversões Sul e o Museu Nacional da República, ampliando o fluxo de pedestres e consolidando o espaço como polo de convivência e atividades culturais.
Outro caso recente envolve o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), que firmou termo de cooperação em junho de 2025, com investimento estimado em R$ 230 mil, para recuperar a área pública em frente à sua sede.
O local recebeu rampa de acessibilidade, escadaria com corrimão e piso tátil, piso intertravado, bancos, mesas, pergolados, redários, paisagismo e reorganização do estacionamento, com 83 vagas demarcadas — 67 para carros e 16 para motocicletas — além de bicicletário e sinalização. Para trabalhadores da região, a mudança impactou a rotina diária, ampliando as opções de lazer e descanso.
Como participar
Interessados em aderir ao programa podem procurar a administração regional responsável pela área desejada ou protocolar o pedido pela internet. Após análise de viabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Distrito Federal (Seduh-DF), a Sepe-DF formaliza o termo e acompanha a execução.
Segundo o secretário, a participação da sociedade é fundamental para fortalecer o cuidado com os espaços públicos e promover o desenvolvimento urbano sustentável.