Um sangramento fora do padrão habitual foi o primeiro alerta de que algo não ia bem com a saúde da empresária brasiliense Gabriella Santana. Aos 25 anos, a jovem descobriu um câncer de colo do útero depois de investigar sintomas que, inicialmente, pareciam simples.
“ No começo, uma médica me falou que poderia ser efeito do anticoncepcional. Eu parei de tomar, mas mesmo assim os sangramentos continuaram”, conta.
Diante da persistência do sintoma, Gabriella decidiu buscar respostas mais aprofundadas. Ela passou por exames ginecológicos, realizou biópsia e fez uma ressonância — foi nesse exame que veio o diagnóstico. “Foi um processo de investigação até entender realmente o que estava acontecendo”, relembra.
Diagnóstico de câncer e desafios do tratamento
Receber a confirmação da doença foi um momento marcante e difícil. “A palavra ‘câncer’ assusta muito e na hora passam muitas coisas pela cabeça. Acho que o primeiro grande desafio para mim foi aceitar o diagnóstico e o medo de não poder ser mãe”, afirma.
Durante o tratamento, realizado no Hospital Brasília, no Distrito Federal, Gabriella enfrentou não apenas os efeitos físicos, mas também impactos emocionais importantes.
“Além da parte física, tem também a parte emocional. Acredito que para nós mulheres, a questão da autoestima pesa muito. A perda do cabelo, por exemplo, foi algo que mexeu bastante comigo”, diz.
Ela relata que o processo foi intenso, com momentos de medo e cansaço, mas também de aprendizado. “Tive momentos de muito choro, acho que foi necessário para aliviar. Assusta um pouco, mas eu sempre procurei me manter firme.”
O apoio da família e dos amigos foi essencial para atravessar essa fase. “Isso tornou o processo muito mais leve, mesmo nos momentos mais difíceis.” Hoje, mesmo após o tratamento, Gabriella segue em acompanhamento médico.
O que é o câncer de colo do útero
O câncer de colo do útero é um tipo de tumor que se desenvolve na parte inferior do útero e está diretamente relacionado à infecção persistente pelo vírus HPV (papilomavírus humano).
Na maioria dos casos, a doença evolui de forma lenta e pode ser detectada ainda em fases iniciais — ou até antes de se tornar câncer — por meio de exames de rastreamento.
Principais sinais de alerta
- Sangramento uterino fora do habitual;
- Sangramento durante ou após a relação sexual;
- Dor pélvica;
- Em estágios mais avançados, alterações urinárias ou intestinais.
Segundo a ginecologista oncológica Rafaela Debastiani, do Hospital Brasília na região de Águas Claras, o sangramento irregular é o sinal mais comum. De acordo com a especialista, o câncer de colo do útero está entre os tumores com maior potencial de prevenção e cura quando identificado precocemente.
“As principais formas de prevenção são a vacinação, que deve ser realizada preferencialmente dos 9 aos 14 anos antes da primeira relação sexual; o uso de preservativo e a realização regular dos exames de rastreamento”, explica.
Entre os exames, destacam-se o papanicolau e a pesquisa de DNA do HPV, também conhecida como genotipagem. Os exames de rotina permitem que as alterações causadas pelo HPV sejam identificadas antes de virar câncer ou em uma fase ainda inicial.
”A última forma de prevenção do câncer é tratar as lesões pré-malignas como NIC 2, NIC 3 e adenocarcinoma in situ, antes que elas evoluam para o câncer”, reforça.
Um alerta para outras mulheres
Hoje, Gabriella usa a própria experiência para conscientizar outras mulheres sobre a importância de cuidar da saúde. Ela diz que a atenção aos sinais do corpo pode ser decisiva e que ao menor sinal de que algo não está bem é preciso investigar.
“Na correria do dia a dia, a gente acaba adiando exames e consultas, mas isso é muito importante. Não podemos esperar sentir algo para procurar um médico. Quanto mais cedo um problema é descoberto, maiores são as chances de tratamento e cura”, alerta.

A trajetória de Gabriella Santana não é um caso isolado e reforça um ponto central na prevenção do câncer de colo do útero: a doença pode ser silenciosa no início, mas costuma dar sinais que não devem ser ignorados.
A recomendação de especialistas é manter a vacinação contra o HPV em dia, usar preservativo e realizar exames de rotina, como o papanicolau e a testagem para o vírus, que são medidas fundamentais para reduzir o risco e identificar alterações precocemente. Quando diagnosticado nas fases iniciais, o câncer de colo do útero apresenta altas chances de tratamento e cura.


