A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, nesta terça-feira (24), audiência pública no Núcleo Rural Rajadinha para discutir a gestão do Galpão do Produtor Rural do Paranoá, cuja licitação está prevista para o início de abril. O encontro reuniu produtores rurais, associações, cooperativas e representantes do governo em torno de um impasse: a forma de administração do espaço.
A iniciativa partiu da deputada Paula Belmonte (PSDB), que propôs o debate para mediar o diálogo entre o Poder Público — que defende a participação da Ceasa-DF na gestão — e os produtores, que reivindicam autonomia na organização do local.
Com área total de 6 mil metros quadrados, sendo 2,4 mil de área coberta, o galpão terá capacidade para até 136 boxes. Segundo Belmonte, o equipamento é estratégico para fortalecer a agricultura familiar e os pequenos produtores da região. “Esse galpão é fruto de emenda parlamentar nossa. Destinamos R$ 9,6 milhões para garantir mais dignidade aos produtores e oferecer ao Paranoá um espaço também para eventos”, afirmou.
A audiência foi motivada por demandas relacionadas a critérios de uso do espaço, manutenção da infraestrutura, transparência administrativa e acesso pelos produtores. Durante o encontro, participantes destacaram a importância de garantir que a gestão permaneça próxima da comunidade local.
Representando os feirantes, a vice-presidente da Associação dos Produtores Rurais e Feirantes do Paranoá, Grazielle Guimarães, relatou as dificuldades enfrentadas atualmente, como a ausência de cobertura e o uso de banheiros químicos. “O galpão é um sonho construído com muito esforço. É uma conquista da associação, e queremos continuar fazendo parte dessa história”, disse.
O produtor rural e ex-deputado distrital Joe Valle também defendeu a gestão pelos próprios feirantes. Para ele, a experiência já demonstrada pelos produtores reforça a capacidade de conduzir o espaço. “Se eles já fazem a gestão hoje, mesmo sem estrutura, imagina quando houver”, comentou.
A subsecretária de Transformação Tecnológica e Inovação Feminina, Sandra Faraj, relatou ter constatado as condições precárias da feira em visita recente. “Não há sequer banheiros adequados, apenas químicos”, observou.
Já o presidente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Rôney Nemer, afirmou que o Governo do Distrito Federal deve apoiar a demanda dos produtores. “Quem vive a realidade do local tem mais conhecimento sobre suas necessidades”, destacou.
A presidente do Conselho de Desenvolvimento Rural do Paranoá, Sandra Silva, também reforçou a defesa da gestão pelos produtores e agradeceu o apoio recebido durante a audiência.
O debate contou ainda com a presença do deputado distrital Iolando (MDB), que elogiou a iniciativa de Paula Belmonte, e de representantes da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater-DF), que se colocaram à disposição para apoiar os produtores.
Gestão compartilhada
Representantes do governo defenderam a construção de um modelo de gestão compartilhada. O representante da Ceasa-DF, Amir Gomes, afirmou que o órgão está preparado para colaborar diante dos desafios estruturais e operacionais do espaço, como segurança, limpeza e manutenção.
Já o secretário-executivo da Secretaria de Agricultura, Pedro Paulo Gama, destacou a importância de uma parceria com o poder público para garantir sustentabilidade ao projeto. Ele alertou que experiências anteriores mostram que estruturas maiores podem sobrecarregar associações quando administradas de forma isolada.
“É preciso encontrar um caminho jurídico para assegurar a participação dos produtores em uma gestão compartilhada. Isso garante não apenas o funcionamento adequado, mas também a continuidade do galpão”, concluiu.