O Distrito Federal se tornou a única unidade da federação a oferecer atendimento em período integral em 100% das creches públicas e conveniadas. O modelo, com jornada de até 10 horas diárias, alcança hoje mais de 33 mil crianças e, segundo dados da Secretaria de Educação, levou ao fim da fila de espera por vagas na primeira infância.
O cenário contrasta com o registrado em 2019, quando cerca de 24 mil crianças aguardavam por atendimento. Desde então, a política de ampliação da rede incluiu a construção de novos Centros de Educação da Primeira Infância (Cepis) e a ampliação de parcerias com instituições privadas, o que permitiu ampliar a oferta e absorver a demanda.
A vice-governadora do DF, Celina Leão, tem destacado o papel da educação infantil como eixo estratégico da atual gestão. Em declarações recentes, afirmou que a ampliação das creches e a garantia do atendimento integral são medidas que impactam tanto o desenvolvimento das crianças quanto a rotina das famílias.
“Quando a gente amplia vagas e garante o tempo integral, está cuidando da criança e dando tranquilidade para os pais trabalharem”, disse.
Na prática, o modelo adotado no DF combina alimentação, atividades pedagógicas e cuidados ao longo de todo o dia. As crianças recebem cinco refeições — café da manhã, lanche, almoço, lanche da tarde e jantar — e participam de uma rotina que intercala momentos de aprendizado e recreação.
A proposta pedagógica não prioriza a alfabetização precoce, mas o desenvolvimento integral. Atividades como rodas de conversa, musicalização, contação de histórias, pintura e jogos educativos fazem parte do cotidiano, com estímulos adaptados a cada faixa etária.
Além das unidades próprias, a rede conta com creches conveniadas e instituições privadas atendidas por programas públicos. Ao todo, são 73 Cepis, além de dezenas de unidades parceiras e vagas financiadas pelo Cartão Creche.
Para especialistas, a universalização do tempo integral representa um avanço na política educacional. A creche, que historicamente teve caráter assistencial, passou a ser reconhecida como etapa fundamental da educação básica, com impacto direto no desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças.
Dentro das unidades, o acompanhamento é contínuo. Educadores registram o progresso dos alunos e compartilham as informações com as famílias, em um modelo que busca integrar cuidado, ensino e participação dos responsáveis.
Com a fila zerada e a cobertura integral consolidada, o Distrito Federal passa a operar em um patamar ainda incomum no país e transforma a educação infantil em uma das vitrines da política pública local.