Brasília será palco de um momento histórico para a marcha atlética brasileira no próximo dia 12. A Esplanada dos Ministérios vai receber a prova dos 10 km sub-20 do Mundial por Equipes, competição criada em 2004, na cidade alemã de Naumburg, que chega à marca de 20 anos em 2026, com um feito inédito para o país: o Brasil terá, pela primeira vez, equipe completa na categoria.
O avanço simboliza mais do que presença em um evento internacional. Ele reflete uma mudança estrutural na modalidade, que, durante anos, enfrentou dificuldades para formar atletas na base. Com o fortalecimento de clubes e projetos de iniciação esportiva, o país começa a consolidar uma nova geração capaz de competir em alto nível desde as categorias iniciais.
O Distrito Federal aparece como um dos principais polos dessa renovação. Duas atletas locais integram a equipe e chegam credenciadas por resultados consistentes no cenário nacional.
Aos 15 anos, Gabriela Beatriz Barros, da CORGAMA, é a mais jovem da delegação e já soma conquistas relevantes. Em 2023, venceu os campeonatos brasileiros sub-16 e sub-18 e estabeleceu o recorde dos 3.000 metros nos Jogos da Juventude, com 15min15s56. Em 2024, confirmou a evolução ao conquistar a Copa do Brasil dos 10 km sub-20, mesmo competindo acima da faixa etária.
Para o treinador Ademir Francelino Ferreira, o desempenho da atleta foge ao padrão esperado. “Mesmo enfrentando adversárias mais velhas, ela consegue competir em alto nível e se manter entre as melhores. Isso mostra que está acima do que normalmente se espera para essa idade”, avaliou.
Outra representante do DF, Mariana Dias Santos, do CASO-DF, disputa o Mundial aos 18 anos, com a marca de 54min29s nos 10 km, registrada em Timbó (SC). O técnico João Sena destaca que a competição internacional representa um passo importante na formação dos atletas. “Essa experiência fora do país é fundamental para o crescimento deles. Além disso, também serve como uma etapa de preparação e observação, pensando no Mundial Sub-20”, explicou.
A equipe brasileira conta ainda com Vitória Silva Araújo e Vinícius da Silva Dias, de Minas Gerais; Mateus Ribeiro Pereira dos Santos, de Santa Catarina; e Davi Gabriel Bastos da Silva, do Espírito Santo.
Na avaliação do treinador Diogo Mello, competir em um Mundial logo no início da carreira amplia o repertório dos atletas e antecipa etapas importantes do desenvolvimento. “Estar nesse ambiente, ao lado de atletas de alto nível, acelera o amadurecimento e ajuda esses jovens a evoluírem mais rápido dentro do esporte”, destacou.
Ao completar duas décadas, a competição chega ao Brasil em um momento de crescimento da marcha atlética nacional, impulsionada por uma base mais sólida e por uma geração que começa a se firmar no cenário internacional.