Um suplemento feito com uma bactéria naturalmente presente no intestino pode ajudar pessoas com sobrepeso ou obesidade a evitar o chamado “efeito sanfona” após uma fase de emagrecimento. A descoberta é de um estudo publicado na revista científica Nature Medicine nesta quarta-feira (13/5), que avaliou o uso da bactéria pasteurizada Akkermansia muciniphila MucT durante o período de manutenção do peso.
O suplemento testado é feito com o microrganismo que vive no intestino humano e se alimenta do muco que reveste a parede intestinal.
Segundo os pesquisadores, a bactéria pode ajudar o organismo a absorver menos energia dos alimentos, melhorar o funcionamento do tecido adiposo e reduzir alterações inflamatórias associadas ao reganho de peso.
Para testar esse efeito, adultos com sobrepeso ou obesidade passaram primeiro por uma dieta de baixa caloria durante oito semanas, com a meta de perder pelo menos 8% do peso corporal. Depois, entraram em uma fase de manutenção de 24 semanas, na qual seguiram uma alimentação saudável, sem restrição fixa de quantidade, e receberam diariamente o suplemento com a bactéria pasteurizada ou um placebo.
Os resultados mostraram que o grupo que tomou o suplemento recuperou menos peso do que o grupo placebo. Ao fim da fase de manutenção, os participantes que receberam a bactéria haviam recuperado, em média, 1,2 kg, enquanto aqueles que tomaram placebo recuperaram cerca de 3,2 kg.
Além disso, o grupo que recebeu a Akkermansia muciniphila MucT teve uma perda de peso líquida maior em relação ao início do estudo. A presença inicial de bactérias do gênero Akkermansia no intestino também pareceu influenciar a resposta cardiometabólica ao suplemento.
Como uma bactéria do intestino pode frear o efeito sanfona
Os pesquisadores explicam o efeito observado. Uma delas é que o suplemento pode contribuir para que parte da energia ingerida seja eliminada nas fezes, reduzindo a quantidade de calorias efetivamente absorvida pelo organismo.
Outra possibilidade envolve o tecido adiposo subcutâneo. De acordo com os autores, o grupo que recebeu a bactéria apresentou sinais de menor atividade inflamatória e maior expressão de genes ligados a um metabolismo mais ativo nas células de gordura.
A bactéria também pode atuar na barreira intestinal, ajudando a preservar a mucosa do intestino e influenciando o chamado eixo intestino-gordura. Esse mecanismo é importante porque, em pessoas com obesidade, o tecido adiposo pode manter alterações inflamatórias mesmo após a perda de peso, o que favorece o reganho.
Apesar dos resultados promissores, os autores destacam que o estudo tem limitações. O acompanhamento foi relativamente curto, de 24 semanas, e ainda são necessárias pesquisas mais longas para entender se o efeito se mantém ao longo do tempo.
Por enquanto, os achados indicam que a suplementação com Akkermansia muciniphila MucT pode ser uma estratégia promissora para auxiliar na manutenção do peso após uma dieta restritiva. Ainda assim, o uso do suplemento não substitui acompanhamento médico, alimentação equilibrada, atividade física e mudanças sustentáveis de hábitos.