Uma única dose de psilocibina, substância psicodélica encontrada em alguns cogumelos, foi associada à redução significativa dos sintomas de depressão em adultos diagnosticados com transtorno depressivo maior.
O resultado aparece em um estudo clínico publicado em 15 de maio na revista científica JAMA Network Open e reforça o interesse crescente da ciência em terapias psicodélicas aplicadas à saúde mental.
A pesquisa conduzida por cientistas do Karolinska Institutet, em Estolcomo, Suécia, acompanhou 35 adultos, entre 20 e 64 anos, com depressão moderada a grave e histórico recorrente da doença.
Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Um recebeu 25 miligramas de psilocibina, enquanto o outro tomou niacina, vitamina usada como placebo ativo por provocar sensações físicas leves, como calor e formigamento. Nem os voluntários nem os pesquisadores sabiam qual substância cada pessoa havia recebido durante a fase principal da pesquisa.
Todos os participantes passaram por acompanhamento psicológico estruturado antes, durante e após a administração da substância. Durante a sessão, os pacientes permaneceram em ambiente controlado e supervisionado por profissionais treinados.
Melhora apareceu poucos dias após a dose
Os pesquisadores observaram a redução dos sintomas depressivos logo nos primeiros dias após a administração da psilocibina. O principal momento de avaliação do estudo aconteceu oito dias depois da dose, quando os participantes tratados com a substância apresentaram melhora significativamente maior em comparação ao grupo que recebeu placebo.
Segundo os autores, os efeitos antidepressivos permaneceram ao longo do período de acompanhamento clínico em parte dos pacientes. Algumas melhoras foram observadas durante semanas após a sessão única.
A pesquisa utilizou uma escala clínica reconhecida internacionalmente para medir sintomas depressivos. Os cientistas também avaliaram segurança, tolerabilidade e possíveis efeitos adversos relacionados ao tratamento.
O estudo afirma que a psilocibina demonstrou “efeitos antidepressivos rápidos e clinicamente relevantes”, mas os próprios autores destacam que ainda são necessários estudos maiores para confirmar os resultados.
O que é a psilocibina
A psilocibina é um composto natural presente em espécies de cogumelos conhecidos popularmente como “cogumelos mágicos”. No organismo, a substância atua principalmente em receptores ligados à serotonina, neurotransmissor relacionado ao humor, emoções e percepção.
Apesar do avanço das pesquisas, a psilocibina ainda é considerada um tratamento experimental em grande parte do mundo e não deve ser utilizada sem supervisão médica.
Os pesquisadores ressaltam que o trabalho possui limitações importantes. O número de participantes foi pequeno e o acompanhamento ocorreu por período relativamente curto. Além disso, os efeitos da psilocibina podem variar de pessoa para pessoa.
Durante o estudo, alguns participantes relataram efeitos adversos temporários, como ansiedade, náusea, dor de cabeça e aumento transitório da pressão arterial. Não houve registro de eventos graves relacionados ao tratamento.
Os autores defendem que novas pesquisas devem investigar a segurança da substância em longo prazo, além de avaliar quais pacientes podem se beneficiar mais da terapia.