Após décadas de estagnação e queixas crônicas dos usuários sobre o sucateamento do transporte sobre trilhos, a Região Metropolitana de Belo Horizonte dá o primeiro passo concreto em direção à modernização de sua malha metroviária.
Entrou em operação nesta sexta-feira, 29, o primeiro dos 24 novos trens adquiridos pela concessionária Metrô BH. A viagem inaugural, que ligou a Estação Central da capital à recém-inaugurada Estação Novo Eldorado, em Contagem, marca o início de uma reformulação orçada em cerca de R$ 700 milhões.
A substituição da frota, que vinha sendo desenhada desde a privatização do sistema, foi acelerada por uma articulação entre o governo estadual e a concessionária, que antecipou a compra dos veículos em dois anos. Fabricadas na China pela Changchun Railway Vehicles (CRRC), as composições operam sob um modelo de validação técnica rigoroso: o primeiro trem passou por mais de 90 tipos de testes e 2,1 mil verificações antes de receber o aval para o transporte de passageiros. A previsão é que outras nove composições sejam integradas aos trilhos ainda este ano.
Financiada em parte por recursos do Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho — assinado em 2021 após a tragédia da Vale —, a renovação do sistema tenta responder ao déficit de mobilidade na segunda maior centralidade urbana do País. “É uma alegria ver esse primeiro trem em funcionamento.
A satisfação aqui é pelo conforto, pela internet, pela circulação entre os vagões e pela velocidade da viagem, lembrando que esses trens comportam quase 1.100 passageiros”, afirmou o governador Mateus Simões, que acompanhou o trajeto inaugural ao lado de executivos chineses e da concessionária.
Do ponto de vista tecnológico, as novas estruturas enterram o padrão analógico do sistema anterior. Os trens contam com salão único (passagem livre entre os vagões), ar-condicionado, Wi-Fi gratuito e displays digitais de LED. Na cabine e nos bastidores, o controle de aceleração, frenagem e abertura de portas passa a ser automatizado e conectado diretamente ao Centro de Controle Operacional (CCO). O sistema conta ainda com um sensor inédito de ocupação de vagões, que avisa os operadores e usuários a distribuição do fluxo nas plataformas.
Segundo o cronograma da Secretaria de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra), o plano de modernização é mais ambicioso do que a troca de vagões. Ele prevê a reforma das paradas atuais e a prometida expansão da Linha 2, que ligará a região do Barreiro à zona Oeste de Belo Horizonte. Com sete novas estações previstas, as duas primeiras unidades do novo ramal (Nova Suíça e Amazonas) têm previsão de entrega para o primeiro semestre de 2026, tentando consolidar uma malha metroferroviária integrada após mais de vinte anos de promessas no papel.