A mpox voltou ao radar da saúde pública após novos registros no Brasil. Dados do Ministério da Saúde apontam 81 casos no país, com maior concentração em São Paulo, que soma 57 pacientes infectados, e no Rio de Janeiro, com 13 ocorrências.
Para especialistas, o momento ainda não indica crescimento fora do esperado. O infectologista Ralcyon Teixeira, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, afirma que o vírus já circula de forma contínua desde a expansão global registrada em 2022.
“Neste momento, o que a gente vive é uma endemia. Desde 2022 o vírus saiu da sua área tradicional e passou a circular no mundo todo. Os casos continuam acontecendo, mas dentro de um padrão que já vinha sendo observado”, explica.
Segundo ele, os períodos com maior número de registros ocorreram em 2022 e 2023, quando houve surtos mais expressivos. Desde então, a quantidade tem se mantido relativamente estável. “Hoje não conseguimos falar em novo surto ou epidemia. Os casos seguem dentro da média observada recentemente”, destaca.
Nova variante e risco atual
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou recentemente o surgimento de uma nova variante do vírus. Ainda assim, a avaliação internacional segue cautelosa.
“O aparecimento de variantes é esperado quando falamos de vírus. Nem sempre isso significa maior gravidade ou transmissão. A OMS considera o risco baixo para a população geral e moderado para grupos mais vulneráveis”, afirma a infectologista Carla Kobayashi, do Hospital Sírio-Libanês.
Ela lembra que a atenção maior permanece voltada para pessoas com maior exposição ao vírus ou condições que aumentem o risco de complicações.
Sintomas da mpox
- Os primeiros sinais podem ser inespecíficos, como febre, dores no corpo e mal-estar, que costumam surgir antes das lesões de pele.
- Em seguida, aparecem manchas que evoluem para pequenas bolhas com aspecto afundado no centro, conhecidas como vesículas umbilicadas.
- Também é comum o aumento dos linfonodos, as chamadas ínguas. As lesões podem surgir em qualquer parte do corpo e algumas são bem sutis.
- Ao notar sintomas suspeitos, especialmente após contato próximo com pessoa infectada ou situação de risco, a orientação é procurar atendimento de saúde para avaliação e diagnóstico.
O que pode levar a uma epidemia?
Os especialistas apontam que a evolução de um surto para epidemia depende principalmente da intensidade da transmissão e do comportamento social. Teixeira destaca que alguns fatores podem favorecer a disseminação da mpox.
“O aumento da circulação do vírus, grandes aglomerações e múltiplos parceiros sexuais são elementos que podem facilitar a transmissão. Outro ponto importante é a pessoa não reconhecer as lesões ou não procurar atendimento, mantendo contato próximo mesmo com suspeita da doença”, afirma.
Ele ressalta que a mpox passou a ter transmissão associada ao contato íntimo, inclusive relações sexuais, o que exige atenção a sinais precoces e orientação adequada.
Capacidade de resposta no Brasil
Quanto à estrutura de saúde, os médicos avaliam que o país possui capacidade de vigilância e resposta, embora existam diferenças regionais. Teixeira explica que a maior concentração de casos no Sudeste está ligada também ao acesso mais amplo a diagnóstico e serviços.
“A região Sudeste tem rede de saúde mais estruturada, mas o Brasil como um todo tem cobertura para diagnóstico. Em algumas regiões pode haver demora logística no envio de amostras, mas a capacidade de identificar casos existe”, diz.
O infectologista André Bon, coordenador da área no Hospital Brasília, reforça que a doença é de notificação obrigatória e já faz parte das rotinas de vigilância epidemiológica.
“O Brasil tem uma rede robusta para identificação e manejo da mpox. Há diagnóstico disponível tanto no sistema público quanto no privado e vacinação para populações específicas de maior risco”, explica.
Embora não exista tratamento antiviral específico, segundo André, os cuidados clínicos costumam ser suficientes para controle dos sintomas.