O GDF Saúde entra em uma nova fase ao reforçar um modelo de atendimento mais próximo, preventivo e contínuo para os servidores públicos do Distrito Federal. Com cerca de 105 mil beneficiários, o plano administrado pelo Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do DF (Inas) passa a investir de forma mais estruturada na atenção primária e na ampliação da telemedicina, especialmente na área de saúde mental.
O movimento busca reorganizar a porta de entrada do sistema e reduzir a dependência de atendimentos emergenciais, criando uma jornada de cuidado mais organizada e eficiente.
Durante participação na live Tempo de Refletir, promovida pela Secretaria-Executiva de Valorização e Qualidade de Vida (Sequali), o diretor-presidente do Inas, Rodrigo Gonçalves, destacou que as mudanças atendem a uma dupla necessidade: melhorar o atendimento ao servidor e garantir equilíbrio ao plano. “Quando você estrutura o cuidado desde o início, evita agravamentos e consegue entregar um serviço mais eficiente. Isso é positivo tanto para quem utiliza quanto para a sustentabilidade do sistema”, afirmou, mantendo o mesmo sentido.
A principal mudança está na incorporação da Atenção Primária à Saúde (APS) como base do atendimento. A proposta é que o beneficiário tenha um acompanhamento contínuo, com um profissional de referência responsável por monitorar a evolução da saúde e orientar decisões ao longo do tratamento. “O paciente passa a ter um ponto fixo de apoio, alguém que acompanha de perto e ajuda a ajustar medicamentos e condutas sempre que necessário”, explicou Gonçalves, em síntese.
Esse modelo permite maior integração entre os atendimentos e atua diretamente na prevenção, reduzindo riscos e evitando complicações futuras.
Ao mesmo tempo, o plano amplia a oferta de telemedicina, com foco em especialidades da área psicossocial. O serviço, iniciado em outubro do ano passado, ganha escala e passa a atender beneficiários de forma remota, sem limitação geográfica.
Atualmente, duas empresas prestam esse tipo de atendimento ao GDF Saúde. A estratégia também contribui para retirar casos mais simples do ambiente hospitalar e facilitar o acesso ao cuidado.
A demanda na área de saúde mental já demonstra a relevância da medida. Em 2025, o plano contabilizou cerca de 225 mil sessões de psicoterapia, concentradas principalmente entre servidores das áreas de saúde, educação e segurança pública.
Para o secretário-executivo da Sequali, Epitácio Júnior, o impacto vai além da assistência individual. “Quando o servidor tem acesso ao cuidado, a tendência é melhorar o ambiente de trabalho e reduzir afastamentos”, destacou, em síntese.
O avanço ocorre em paralelo ao crescimento expressivo do plano desde a sua criação, em 2020, durante a pandemia. O volume de atendimentos saltou de 191 mil em 2021 para 1,4 milhão em 2025, evidenciando a expansão da rede e da demanda.
Hoje, o GDF Saúde conta com aproximadamente 3 mil prestadores credenciados, entre hospitais, clínicas e laboratórios. A operação envolve 207 servidores no Inas e movimenta mais de R$ 1,5 bilhão por ano na economia da saúde do Distrito Federal.
Mesmo com os resultados, a gestão reconhece desafios. Um dos principais envolve a liberação de materiais de alto custo utilizados em cirurgias, como órteses e próteses. Nesses casos, o processo exige duas autorizações, análise técnica e cotação de mercado.
“São procedimentos que exigem mais rigor, porque envolvem valores elevados. O objetivo é garantir qualidade, atendimento adequado e responsabilidade financeira”, explicou o presidente.
Outro tema recorrente entre os beneficiários é a atualização da rede credenciada. Segundo o Inas, as mudanças recentes seguem a legislação, que limita os contratos a até 60 meses. “No fim de 2025, foi necessário renovar uma parte significativa dos credenciamentos dentro desse prazo legal”, afirmou. Ao todo, 226 prestadores deixaram a rede, a maioria com baixo volume de atendimento ou sem renovação contratual. “Foi um processo natural. A rede segue ampla e preparada para atender”, reforçou.
Na governança, o plano mantém dois conselhos: o de Administração, responsável por decisões estratégicas, e o Fiscal, voltado ao controle financeiro. A recente substituição de cinco membros, segundo Gonçalves, ocorreu por decisão das próprias entidades representativas. “Não houve interferência externa. Foi uma mudança interna, dentro do funcionamento normal do sistema”, pontuou.
Com as novas diretrizes, o GDF Saúde avança para um modelo mais moderno, baseado em prevenção, acesso facilitado e acompanhamento contínuo, consolidando uma política de cuidado que busca atender ao servidor ao longo de toda a vida.