A política habitacional do Distrito Federal ganhou mais um avanço nesta quarta-feira (18), com a destinação de uma área pública em Brazlândia para a construção de um novo bairro. O governador Ibaneis Rocha formalizou a cessão do terreno, pertencente à Terracap, para a Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codhab-DF), que ficará responsável pela execução do projeto.
O espaço fica na expansão da Vila São José, no Núcleo Rural Capão da Onça, e deve receber cerca de 5.069 unidades habitacionais. A capacidade estimada é de aproximadamente 18,4 mil moradores, número que representa um acréscimo relevante para a população local, atualmente em torno de 70 mil habitantes.
Para o governador, o projeto reposiciona o crescimento da cidade. “Brazlândia passa a crescer de forma estruturada, com planejamento. Esse novo bairro tem potencial para movimentar a economia, ampliar a oferta de empregos e melhorar as condições de vida da população”, afirmou.
Ibaneis também ressaltou que a iniciativa é resultado de um processo técnico integrado. “Esse projeto percorreu todas as etapas necessárias, desde o planejamento urbano até a regularização da área e a análise ambiental. Houve um cuidado grande para garantir que a expansão aconteça com responsabilidade”, disse.
A Terracap foi responsável por disponibilizar o terreno, dentro de uma estratégia de utilização de áreas públicas para ampliar o acesso à moradia. O presidente da companhia, Izídio Santos, destacou o foco em regiões com demanda reprimida. “Estamos viabilizando terrenos para que programas habitacionais avancem onde há necessidade. Isso permite crescimento ordenado, evita ocupações irregulares e assegura infraestrutura adequada”, afirmou.
Com a cessão oficializada, o projeto segue agora para a fase de estruturação técnica. De acordo com o diretor-presidente da Novacap, Marcelo Fagundes, caberá à Codhab desenvolver os projetos urbanísticos e de engenharia, além de conduzir o processo de aprovação do parcelamento. “Após essa etapa, ocorre o registro dos lotes e o chamamento das famílias que atendem aos critérios do programa”, explicou.
Entre as exigências estão o tempo mínimo de residência no Distrito Federal e renda de até 12 salários mínimos. “São regras necessárias para garantir que o atendimento seja direcionado a quem realmente precisa”, completou.
A expectativa pela iniciativa já é sentida entre moradores da região. A pensionista Andréia Ferreira, de 52 anos, afirma que aguarda uma oportunidade há anos. “Estou com cadastro ativo e documentação pronta. Agora sigo esperando ser contemplada”, disse.
A aposentada Silvana Lima, de 63 anos, também vê o projeto como uma resposta a uma demanda antiga. “É uma notícia que traz esperança. Muita gente aqui precisa de moradia e aguardava por isso”, afirmou.
Na avaliação da administradora regional, Luciana Lima, a medida representa uma mudança histórica. “Por muito tempo, os moradores precisaram sair da cidade em busca de moradia. Agora, Brazlândia começa a oferecer essa possibilidade dentro do próprio território”, declarou.
A área destinada ao empreendimento foi dividida em dois setores, ambos classificados como de densidade média, com limite de até 200 habitantes por hectare. O primeiro, com aproximadamente 73 hectares (732.868,66 m²), tem capacidade para até 14,6 mil moradores e previsão de cerca de 4.023 unidades habitacionais, considerando a média de 3,63 pessoas por residência. O segundo setor, com cerca de 19 hectares (193.115,04 m²), poderá abrigar até 3.800 pessoas, com estimativa de aproximadamente 1.046 unidades.
Somadas, as áreas chegam a aproximadamente 92 hectares destinados à expansão urbana, com potencial para cerca de 18,4 mil moradores e 5.069 moradias.
O modelo segue uma estratégia já adotada pelo Governo do Distrito Federal em outras regiões administrativas. No Recanto das Emas, há projetos aprovados para até 6.319 unidades habitacionais, com capacidade para cerca de 19,7 mil pessoas. Em Ceilândia, outro empreendimento prevê 5.690 moradias, com potencial para atender mais de 17 mil moradores. Novos lançamentos nessas regiões reforçam a ampliação da oferta habitacional em áreas planejadas.