O linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que afeta o sistema linfático e pode apresentar sintomas pouco específicos, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico precoce. Em alguns casos, os sinais iniciais são discretos ou incomuns.
Foi o que aconteceu com a britânica Lauren Firenze, 32, que percebeu uma reação inesperada sempre que consumia bebidas alcoólicas. Na época, ela não imaginava que a situação poderia estar relacionada a uma doença grave.
O primeiro episódio aconteceu no verão de 2018, quando Lauren tinha 24 anos. Ela estava em um pub com amigos tomando um copo de vinho branco quando sentiu uma dor súbita e intensa no corpo.
Como frequentava a academia regularmente, ela acreditou que tivesse distendido um músculo. O desconforto durou alguns dias e depois desapareceu. Cerca de uma semana depois, ao beber alguns goles de gin tônica em um bar, a mesma dor voltou.
“Em um momento eu estava conversando normalmente e, no instante seguinte, estava em completa agonia”, conta ela ao jornal britânico The Sun.
A sensação começava no lado direito do pescoço e se espalhava pelo braço até a ponta dos dedos, acompanhada de um formigamento intenso. Sem entender o que estava acontecendo, Lauren decidiu parar de beber álcool. Como a dor desapareceu, ela acabou não investigando mais o problema.
Volta da dor após consumo de álcool
Meses depois, durante o período de Natal de 2018, Lauren voltou a consumir uma bebida alcoólica na casa de uma amiga. Bastou um pequeno gole para que a reação retornasse de forma ainda mais intensa. “Foi a pior que já tive. Meu braço ficou dormente e foi realmente assustador”, lembra.
No início de 2019, ela decidiu procurar um médico. Os primeiros exames de sangue indicaram que algo não estava normal. Nessa fase, Lauren também começou a apresentar tosse persistente com catarro.
Uma radiografia do tórax não mostrou alterações, mas uma tomografia revelou massas próximas ao tórax e ao pulmão direito.
Em março de 2019, após novos exames, incluindo biópsia e tomografia por emissão de pósitrons, veio o diagnóstico. Lauren descobriu que tinha linfoma de Hodgkin em estágio quatro, um tipo de câncer que se origina nos linfócitos, células responsáveis pela defesa do organismo.
Segundo Lauren, o sintoma relacionado ao álcool era extremamente raro. O médico que a acompanhou afirmou conhecer apenas alguns poucos casos semelhantes.
O que é o linfoma de Hodgkin
- O linfoma de Hodgkin é um câncer do sistema linfático que começa nos linfócitos, um tipo de glóbulo branco responsável pela defesa do organismo.
- A doença pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum em adultos jovens entre 20 e 40 anos e em pessoas mais velhas.
- Entre os sintomas mais conhecidos estão aumento de gânglios linfáticos, geralmente no pescoço, nas axilas ou na virilha, além de fadiga, perda de peso e febre.
Tratamento e apoio durante a doença
Após o diagnóstico, Lauren passou por um processo de preservação de fertilidade antes de iniciar o tratamento. Em seguida, enfrentou três meses de quimioterapia intensiva.
Foi também nesse período que ela conheceu Danny, um guitarrista que se tornou seu principal apoio durante a doença. No dia em que recebeu o diagnóstico, Lauren tinha um encontro marcado com ele e chegou a perguntar se seria melhor cancelar. Danny decidiu manter o encontro e, naquela noite, apareceu em sua casa com flores.
Durante o tratamento, os dois continuaram se vendo, muitas vezes em programas simples como assistir filmes ou tomar café.
“Quando eu estava no hospital muito fraca, ele me ligava e tocava música para mim pelo telefone até eu adormecer”, relembra.
Remissão e novos planos
Após dois anos de tratamento e acompanhamento médico, Lauren entrou em remissão em 2021 e desde então permanece estável.
Ela e Danny ficaram noivos em janeiro de 2025 e se casaram no mesmo ano em uma cerimônia organizada às pressas para que o pai dele, diagnosticado com câncer terminal, pudesse participar.
Hoje, Lauren também se dedica a apoiar outras pessoas que enfrentam a doença. Em 2023, ela lançou um podcast voltado a pacientes e familiares afetados pelo câncer.
“Quero compartilhar coisas que gostaria de ter sabido antes e ajudar outras pessoas a se sentirem menos sozinhas”, afirma.