O câncer de pele não melanoma é o tipo mais comum no Brasil e, apesar de ter baixa mortalidade quando diagnosticado cedo, pode demandar cirurgias extensas e causar cicatrizes importantes quando há atraso no diagnóstico. Reconhecer os sinais da doença é fundamental para evitar complicações.
De acordo com a oncologista Cintia Batista, do Sírio-Libanês Brasília, muitos pacientes ignoram alterações iniciais.
“O sinal mais subestimado é o surgimento de uma nova mancha ou a mudança de cor, tamanho e aspecto de uma pinta já existente”, afirma.
Embora alterações pigmentadas estejam mais associadas ao melanoma, qualquer mudança na pele deve ser avaliada. No caso do câncer de pele não melanoma, os tipos mais frequentes são o carcinoma basocelular, responsável por cerca de 70% dos casos, e o carcinoma espinocelular, que representa aproximadamente 20% dos diagnósticos.
Lesões que começam discretas
Segundo dermatologista Daniela Machado, da Clínica Lúmina, em Brasília, o carcinoma basocelular costuma surgir como uma pequena lesão rosada, brilhante, que parece inofensiva.
“Muitas vezes é uma pintinha levemente elevada, de coloração rosada, que não chama atenção no início”, explica.
Já o carcinoma espinocelular pode começar como áreas ásperas e descamativas, conhecidas como queratoses actínicas, consideradas lesões pré-cancerígenas. Em alguns países, as alterações já são classificadas como estágio inicial de câncer de pele.
As lesões costumam ser mais palpáveis do que visíveis. Ao passar a mão sobre a pele, é possível sentir pequenas áreas ásperas ou endurecidas.
Outra das manifestações mais importantes do câncer de pele não melanoma é a ferida que não cicatriza. Se uma lesão permanece aberta por mais de duas a quatro semanas, com sangramento, crostas ou secreção, é necessário procurar avaliação médica. Nem toda ferida persistente é câncer, mas a hipótese precisa ser considerada.
Dor e coceira podem surgir principalmente quando a lesão evolui. Em estágios mais avançados, pode haver sangramento frequente e aumento progressivo da área afetada.
Como reduzir o risco de câncer de pele?
- A cada dez casos, nove estão vinculados à exposição solar.
- Observar alterações incomuns na pele, como pintas novas ou mudanças em características existentes, também é importante.
- Sinais e manchas atípicas devem ser avaliados por profissionais de saúde.
- O Cancer Research UK recomenda três medidas essenciais para reduzir o risco de câncer de pele.
- Elas incluem: ficar na sombra em horários de maior incidência de raios UV (entre 11h e 15h); cobrir-se com roupas adequadas e usar óculos de sol e chapéus de abas largas; e aplicar protetor solar regularmente, com FPS 30, no mínimo.
Exposição solar é principal fator de risco
O principal fator de risco para câncer de pele no Brasil é a exposição solar excessiva, especialmente queimaduras na infância e adolescência. O dano da radiação ultravioleta é cumulativo.
“Grande parte dos pacientes acima dos 40 anos não teve proteção solar adequada na infância. Esse dano pode se manifestar décadas depois”, destaca Daniela.
Apesar de ainda ser mais comum em adultos e idosos, casos em pessoas mais jovens têm sido observados, especialmente entre aqueles que mantêm exposição intensa ao sol sem proteção adequada.
Diagnóstico ainda é tardio
Um dos maiores problemas é que as lesões são subestimadas. Muitos pacientes demoram anos para procurar um dermatologista, acreditando se tratar de algo benigno.
Cintia reforça que o exame clínico, a dermatoscopia e, quando necessário, a biópsia, são fundamentais para confirmar o diagnóstico de câncer de pele.
A orientação é clara: qualquer lesão nova, ferida persistente, área que descama, sangra ou cresce progressivamente deve ser avaliada. O diagnóstico precoce reduz a necessidade de cirurgias maiores e melhora o resultado estético e funcional.
Proteção solar diária, reaplicação do filtro, uso de barreiras físicas como chapéus e roupas adequadas e atenção às mudanças na própria pele são medidas essenciais para reduzir o risco de câncer de pele.