Suplementos de vitamina D podem influenciar a forma como o sistema imunológico reage às bactérias presentes no intestino de pessoas com doença inflamatória intestinal (DII). É o que sugere um estudo conduzido por pesquisadores da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, publicado na revista científica Cell Reports Medicine nessa quinta-feira (26/3).
A doença inflamatória intestinal inclui duas condições principais, a doença de Crohn e a colite ulcerativa. Ambas afetam o trato digestivo e estão associadas a uma reação exagerada do sistema imunológico contra bactérias que normalmente vivem no intestino sem causar danos.
Esse processo ocorre quando há uma falha no que os cientistas chamam de tolerância imunológica, mecanismo que permite ao organismo conviver com microrganismos benéficos sem desencadear inflamação.
Segundo o gastroenterologista John Mark Gubatan, principal autor do estudo, os resultados indicam que a vitamina D pode ajudar a ajustar essa relação entre o sistema imunológico e o microbioma intestinal. O pesquisador reforça que compreender melhor esse equilíbrio é essencial para desenvolver novas abordagens terapêuticas para a doença.
O que mostrou o estudo
A pesquisa acompanhou 48 pessoas com doença inflamatória intestinal que apresentavam baixos níveis de vitamina D no organismo. Durante 12 semanas, os participantes receberam suplementação semanal da vitamina.
Antes e depois do período de suplementação, os pesquisadores coletaram amostras de sangue e fezes dos participantes. Esses materiais foram analisados com técnicas de sequenciamento genético para investigar como o sistema imunológico estava interagindo com as bactérias do intestino.
Os resultados indicaram mudanças em marcadores ligados à resposta imunológica. Houve aumento nos níveis de imunoglobulina A, conhecida como IgA, associada a respostas protetoras do sistema imunológico. Ao mesmo tempo, foi observada redução da imunoglobulina G, ou IgG, que costuma estar relacionada a processos inflamatórios.
Além disso, os pesquisadores também identificaram maior atividade de células do sistema imunológico responsáveis por ajudar a controlar a inflamação.
Possível caminho para novas estratégias
De forma geral, os resultados sugerem que a vitamina D pode contribuir para tornar a resposta imunológica mais equilibrada em relação às bactérias intestinais.
Além das alterações imunológicas, os pesquisadores observaram melhora em indicadores de atividade da doença e redução de um marcador de inflamação presente nas fezes.
Embora os resultados sejam promissores, os cientistas ressaltam que o estudo envolveu um número pequeno de participantes e não foi desenhado para demonstrar uma relação direta de causa e efeito.
Por isso, os autores afirmam que os achados ainda precisam ser confirmados em estudos maiores e controlados. Eles também alertam que pacientes não devem iniciar ou modificar o uso de vitamina D por conta própria.
Segundo Gubatan, embora a vitamina seja amplamente disponível, a dose ideal pode variar entre os pacientes, especialmente em pessoas com inflamação crônica. O acompanhamento médico continua sendo essencial para orientar o tratamento.