Uma nova epidemia de ebola foi confirmada no leste da República Democrática do Congo (RDC), em uma região marcada por conflitos armados e intensa circulação de pessoas. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (15/5) pelo Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC, silga em inglês), que monitora o surto na província de Ituri.
Até o momento, 13 casos foram confirmados em laboratório e quatro mortes foram atribuídas ao vírus. Ao todo, cerca de 246 casos suspeitos foram registrados, incluindo 65 mortes ainda em investigação. A maior parte das notificações se concentram nas zonas de saúde de Mongwalu e Rwampara, mas casos suspeitos também foram relatados em Bunia, capital da província de Ituri.
Segundo o Africa CDC, exames preliminares realizados pelo Institut National de Recherche Biomédicale (INRB) detectaram o vírus Ebola em 13 das 20 amostras analisadas. Os resultados iniciais sugerem que o agente pode não pertencer à espécie Zaire ebolavirus, a mais comum em surtos anteriores no país. O sequenciamento genético ainda está em andamento para identificar com precisão a cepa envolvida.
A confirmação da espécie é considerada importante porque vacinas e tratamentos disponíveis foram desenvolvidos principalmente para o ebolavírus Zaire. Caso o surto seja causado por outra espécie, a escolha das estratégias de resposta pode exigir avaliação específica pelas autoridades de saúde.
Risco de disseminação preocupa autoridades
O Africa CDC manifestou preocupação com o risco de o surto se espalhar para outras regiões da República Democrática do Congo e para países vizinhos, como Uganda e Sudão do Sul, devido à intensa movimentação de pessoas. Para tentar conter a transmissão, o órgão convocou uma reunião urgente com autoridades de saúde da RDC e dos países vizinhos, além de parceiros internacionais, como OMS, Unicef, Médicos Sem Fronteiras, Gavi e Fundação Gates, com foco em reforçar a vigilância, ampliar o apoio laboratorial, melhorar as ações de prevenção e controle de infecções, além de orientar a população sobre os riscos e garantir enterros seguros.
Como o ebola é transmitido
A doença pelo vírus Ebola é uma enfermidade grave e frequentemente fatal. A transmissão ocorre pelo contato direto com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas, além de superfícies e materiais contaminados. O vírus também pode ser transmitido durante o contato com corpos de pessoas que morreram pela doença, quando não há medidas adequadas de proteção.
Os sintomas costumam incluir febre, fraqueza intensa, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Com a progressão do quadro, podem surgir vômitos, diarreia, erupções na pele, alterações no funcionamento dos rins e do fígado e, em alguns casos, sangramentos internos e externos.
Para conter a transmissão, autoridades sanitárias reforçam medidas como detecção precoce, isolamento de casos, atendimento imediato, rastreamento de contatos, uso de equipamentos de proteção por profissionais de saúde, comunicação clara com as comunidades e realização de enterros seguros.
O Africa CDC orienta moradores de áreas afetadas ou de risco a seguirem as recomendações das autoridades locais, relatando, caso haja, sintomas imediatamente e evitarem contato direto com pessoas suspeitas de infecção. De acordo com o comunicado, novas informações devem ser divulgadas após a conclusão do sequenciamento genético do vírus.