Cruzar as pernas ao sentar é um hábito automático para muita gente. Apesar da fama de “vilão” da postura e da circulação, especialistas afirmam que o gesto, isoladamente, não costuma trazer riscos graves para pessoas saudáveis. O problema aparece quando a posição é mantida por longos períodos, associada ao sedentarismo e à falta de movimento ao longo do dia.
Além de gerar compressão temporária dos vasos e nervos, permanecer muito tempo sentado com as pernas cruzadas pode favorecer dores musculares, sensação de peso e piora de sintomas em pessoas predispostas a doenças vasculares.
Cruzar as pernas prejudica a circulação?
Segundo o angiologista Thiago Osawa, do Hospital DF Star, cruzar as pernas provoca uma compressão momentânea das veias localizadas atrás do joelho, reduzindo temporariamente o retorno do sangue. Em pessoas saudáveis, porém, o organismo costuma compensar esse efeito sem maiores consequências.
“O problema não é o gesto em si, mas a repetição prolongada e frequente, especialmente em quem já tem alguma predisposição vascular”, afirma o médico.
O também angiologista, Bruno Carvalho, da clínica Angioprime, em Brasília, reforça que “não existem evidências científicas de que cruzar as pernas cause varizes diretamente.” Ele destaca que fatores como hereditariedade, obesidade, envelhecimento, gravidez e sedentarismo têm impacto muito maior sobre a saúde vascular.
De acordo com os especialistas, ficar horas na mesma posição, com ou sem as pernas cruzadas, reduz a ação da panturrilha, considerada uma espécie de “bomba” que ajuda o sangue a retornar ao coração. Isso favorece sensação de peso, inchaço e desconforto ao final do dia.
Postura inadequada também pode causar dores
Além dos impactos na circulação, a posição pode gerar sobrecarga muscular e articular. O ortopedista Ivo Zulian Neto, que atende em São Paulo, explica que manter as pernas cruzadas por muito tempo altera o alinhamento da pelve e força compensações na coluna.
“Esse hábito altera a biomecânica do corpo, sobrecarrega os músculos posturais e pode consolidar vícios posturais que resultam em dores crônicas”, diz.
Segundo ele, a postura também pode aumentar dores lombares, tensão nos quadris e pressão sobre os joelhos. Outro efeito comum é o formigamento causado pela compressão de nervos e vasos sanguíneos na região atrás do joelho.
Os médicos alertam que pessoas com histórico de trombose, insuficiência venosa ou problemas vasculares devem evitar permanecer imóveis por muito tempo. Nesses casos, a estase sanguínea, quando o sangue fica parado, pode aumentar o risco de complicações.
Hábitos que ajudam a melhorar a circulação
A principal recomendação dos especialistas é simples: movimentar o corpo ao longo do dia. Caminhadas, musculação, bicicleta e exercícios que ativem a panturrilha ajudam a estimular o retorno venoso e reduzir os sintomas de má circulação.
Entre os hábitos indicados estão levantar a cada 50 ou 60 minutos no trabalho, alongar as pernas, movimentar os pés enquanto está sentado e evitar longos períodos de imobilidade em viagens.
Manter o peso adequado, controlar doenças como diabetes, evitar o cigarro e investir em ergonomia, que é a ciência que adapta o mobiliário e o ambiente às suas necessidades, mantendo a coluna alinhada e as articulações em posições neutras, também fazem diferença para proteger a uma boa circulação e a saúde da coluna. Em alguns casos, o uso de meias de compressão pode ser recomendado por um médico.