Famílias de um condomínio de Valparaíso de Goiás (GO), no Entorno do Distrito Federal (DF), ficaram assustadas após uma moradora ameaçar colocar veneno nas rodas do próprio carro após cães urinarem nelas.
Ouça:
“Se cachorro ou menino encostar em carro meu, em roda, alguma coisa, vai ter veneno. Se morrer, eu não me responsabilizo, ok? Eu não me responsabilizo. Porque eu já pedi com educação várias vezes. Eu não vou trocar roda de carro meu não porque cachorro está mijando e estragando não”, afirmou a mulher (ouça acima).
A moradora fez as ameaças em mensagens de áudio no grupo de WhatsApp do condomínio na manhã do último domingo (22/2). O síndico notificou a moradora e, assustados, vizinhos registraram boletim de ocorrência por ameaça na Polícia Civil de Goiás (PCGO).
O Metrópoles optou em não divulgar os nomes dos envolvidos, pois não há, até o momento, indiciamento.
Nas mensagens, a moradora declarou que flagrou uma vizinha que teria deixado o cachorro, que estava solto, urinar entre os carros do residencial.
A mulher declarou que foi ignorada, mesmo após pedir várias vezes aos vizinhos com bichos de estimação que não permitissem que os animais urinassem nos carros do condomínio.
A mulher argumentou que “ama os animais”, mas que não iria mais tolerar urina no seu carro. Ela acrescentou que teve prejuízos financeiros.
“Azar de cachorro que morrer ou de menino que encostar em roda de carro meu. Eu não vou me responsabilizar. Porque eu não estou botando veneno na boca de ninguém. Se morrer é porque foi lá lamber ou foi mexer em carro meu. Já está avisado”, ameaçou.
“Eu só estou avisando: se encostar no meu, na minha roda do meu carro, no meu carro, o negócio vai ficar bravo. Porque só vai ver cachorro caindo, morrendo aí pelo chão, os gatos também e o menino passando mal. Porque eu vou pôr veneno. E o veneno é tóxico e eu não me responsabilizo”, completou.
Desculpas
Após a repercussão interna no condomínio, a moradora pediu desculpas no grupo, argumentando que teria “surtado”. Ela declarou, ainda, que sairia do grupo, mas que continuaria à disposição para eventuais esclarecimentos.
“Peço desculpas pelo surto, mas só surtei porque já tive dois prejuízos com meu carro por situações semelhantes! Claro que não irei fazer nada com nenhum animal, mas na hora da raiva a boca fala o que quer”, escreveu.
Notificação
O Metrópoles entrou em contato com o síndico do condomínio, que declarou que e a administração do condomínio apenas cumpriu o que determina o regimento interno. Ele ressaltou que o ordenamento exige que animais circulem nas áreas comuns devidamente conduzidos por seus responsáveis, com uso de coleira.
“Após surgirem manifestações e áudios no grupo de moradores com conteúdo inadequado, a administração adotou medidas preventivas e administrativas: a unidade envolvida foi formalmente notificada e orientada com base no Código Civil e nas normas internas, e o grupo foi temporariamente fechado para evitar escalada de conflitos entre moradores”, argumentou.
O síndico ressaltou que a moradora se retratou no grupo aberto de WhatsApp e pediu desculpas pela mensagem que havia encaminhado.
“Até o momento, não há registro de qualquer ato concreto que configure a ameaça mencionada, motivo pelo qual a atuação da gestão se limitou ao caráter orientativo e preventivo, preservando a convivência e o devido processo interno”, concluiu.
Código Penal
Segundo o artigo 147 do Código Penal brasileiro, ameaça é crime. Segundo o texto, a infração ocorre se o individuo: “ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave”.
A pena é de 1 a 6 meses de prisão e multa.
Outro lado
O Metrópoles entrou contato com a moradora. Ela não quis conceder entrevista. A residente negou qualquer irregularidade e declarou que iria adotar as medidas judiciais cabíveis. O espaço segue aberto.