O uso crescente de canetas emagrecedoras acendeu um alerta importante na área da saúde: o descarte correto das agulhas utilizadas nos dispositivos. Apesar de parecer um detalhe simples, jogar esse material no lixo comum pode trazer riscos sérios, não só para quem usa, mas também para coletores, recicladores e até animais.
A infectologista Talita Resende Leal Ferreira, do Hospital Anchieta, em Ceilândia (DF), explica que esse tipo de resíduo é classificado como perfurocortante, ou seja, capaz de causar cortes ou perfurações. “Agulhas, seringas e qualquer material com potencial de ferir precisam de descarte adequado, pois podem transmitir doenças”, afirma.
Segundo a médica, o ideal é utilizar recipientes próprios, conhecidos como coletores de perfurocortantes. “Mas, na ausência deles, é possível improvisar com segurança. Garrafas PET ou embalagens rígidas, como frascos de amaciante, podem ser usadas, desde que sejam resistentes e bem vedadas”, orienta. O ponto central, segundo ela, é garantir que a agulha não consiga perfurar o recipiente.
Como fazer o descarte correto em casa
Além disso, o armazenamento não precisa ser feito a cada aplicação. A recomendação é encher o recipiente até cerca de dois terços da capacidade antes de levá-lo a uma unidade básica de saúde (UBS), onde será feito o descarte correto. “São os locais mais indicados, já que não há obrigatoriedade de farmácias receberem esse tipo de material”, completa Talita.
Outro erro comum é a reutilização de agulhas. De acordo com a infectologista, a prática aumenta significativamente o risco de infecções de pele. “As agulhas têm prazo de validade e são de uso único. Reutilizar pode causar inflamações e infecções locais, algo que vemos com frequência na prática clínica”, alerta.
A infectologista Morgana Padilha, do Hcor, em São Paulo, reforça que o descarte inadequado expõe terceiros a acidentes graves. “Quando uma agulha é jogada no lixo comum, qualquer pessoa pode se ferir ao manusear o material, inclusive trabalhadores da coleta e reciclagem”, explica.
Esses acidentes, segundo a especialista, têm potencial de transmitir doenças infecciosas importantes. “Entre as principais estão HIV, hepatite B e hepatite C. Mesmo que a pessoa não tenha diagnóstico, existe o período de janela imunológica, em que ela pode transmitir sem saber”, destaca.
O que fazer em caso de acidente
Caso ocorra um acidente com perfuração, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente, preferencialmente em até 72 horas, para avaliação e possível profilaxia. Morgana também ressalta a importância da vacinação. “Manter a carteira vacinal atualizada, especialmente contra hepatite B e tétano, é uma forma essencial de prevenção”, diz.
No fim das contas, o descarte correto não é apenas uma recomendação, é uma responsabilidade coletiva. Ignorar esse cuidado pode parecer inofensivo no curto prazo, mas abre espaço para riscos evitáveis e potencialmente graves.