O Brasil será representado por um grupo de escritores na tradicional Feira do Livro de Lisboa, um dos mais importantes eventos literários do mundo. A participação integra o projeto Viagem às Nascentes da Língua Portuguesa, iniciativa que busca reafirmar a literatura como elo entre nações e destacar o papel de projetos independentes na construção de um mercado editorial mais integrado entre os países lusófonos.
Mais do que uma presença institucional, a proposta tem caráter simbólico e estratégico: aproximar autores brasileiros do público português e ampliar o debate sobre a circulação do livro em língua portuguesa.
“Queremos ampliar a presença da literatura brasileira no exterior, criar intercâmbio entre escritores, editoras, universidades, bibliotecas e instituições culturais, além de defender a livre circulação do livro em língua portuguesa”, afirma Tagore Alegria, filho do idealizador do projeto, Victor Alegria.
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Grupo brasileiro leva literatura à Feira do Livro de Lisboa em viagem cultural inédita
Luiza Frazão
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A iniciativa também chama atenção para um tema considerado central pelos participantes: a redução das barreiras logísticas e fiscais que ainda dificultam o intercâmbio literário entre Brasil e Portugal. “Mais do que uma viagem, estamos construindo uma ponte cultural entre Brasil e Portugal através da literatura”, diz Tagore.
O grupo pretende levar às instituições culturais portuguesas e brasileiras a discussão sobre taxas e entraves alfandegários relacionados ao envio de livros entre os dois países: “Estamos levando essa discussão para instituições culturais portuguesas e brasileiras porque acreditamos que o livro não pode ser tratado como um produto comum — ele é patrimônio cultural”.
Marcos Vinhal Campos, um dos escritores que participarão da viagem, celebra a oportunidade de levar a literatura brasileira ao exterior. “Sempre participamos desses projetos com a ideia de colher bons frutos. Estamos todos muito animados”, diz o autor.
Além dele, a delegação contará com os autores Fernanda Campos, Rafaela Campos, Guilherme Braga, Felícia Braga, Lívia Borges, Marcos Araújo, Luana Borges, Mario Freitas, Cristiane Freitas, Janaina Parente, Elinete Miller, Antovila Lima, Vital Fagundes, Ronaldo Vila Real, Alexandre Lobão, Marcelo Sampaio e Maria Lucia Torres.
Sobre o projeto Viagem às Nascentes da Língua Portuguesa
O projeto Viagem às Nascentes da Língua Portuguesa surgiu a partir do desejo do editor português Victor Alegria de aproximar escritores brasileiros das origens históricas e culturais da língua portuguesa. Aos 90 anos, ele afirma que o sucesso da iniciativa é resultado de mais de seis décadas dedicadas aos livros, à leitura e à valorização da cultura lusófona.
“Eu cheguei ao Brasil fugindo da ditadura salazarista, em Portugal. Aqui, encontrei na cultura e na literatura uma forma de reconstruir a vida. Trabalhei durante décadas com livros e, durante muito tempo, fui um dos maiores importadores de livros portugueses no Brasil. Muitas vezes sem qualquer lucro, pelo contrário, frequentemente perdendo dinheiro, porque o objetivo nunca foi apenas comercial, sempre foi cultural”, ressalta.
Victor Alegria, idealizador do projeto Viagem às Nascentes da Língua Portuguesa
Victor destaca, ainda, que o projeto surgiu sem apoio financeiro, sustentado apenas pelo esforço pessoal e pela paixão pela literatura. Ao refletir sobre a trajetória da língua portuguesa ao redor do mundo, o editor celebra o alcance cultural do idioma e o intercâmbio promovido pelo projeto.
“Ao longo desses anos, vimos a língua portuguesa crescer, atravessar fronteiras e unir povos em diferentes continentes. E hoje perceber escritores brasileiros caminhando por Portugal, conhecendo as raízes históricas da nossa língua, dialogando com leitores, bibliotecas e instituições portuguesas, é algo profundamente emocionante”, finaliza.