Estresse constante e o hábito de comer tarde da noite podem atuar juntos e afetar o funcionamento do intestino. Um novo estudo com milhares de participantes indica que pessoas que vivem sob altos níveis de estresse e concentram grande parte das refeições no período noturno relatam mais problemas digestivos.
A pesquisa analisou dados de mais de 11 mil participantes da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição dos Estados Unidos. Os resultados serão apresentados na próxima segunda-feira, 4 de maio, durante a Semana de Doenças Digestivas, um encontro internacional dedicado à saúde digestiva.
Segundo os pesquisadores, não é apenas o tipo de alimento consumido que influencia o intestino, mas também o horário das refeições. Quando o hábito ocorre em um contexto de estresse prolongado, o efeito pode ser ainda mais intenso.
“Não é apenas o que você come, mas quando você come. E quando já estamos sob estresse, esse momento pode representar um duplo impacto para a saúde intestinal”, afirma Harika Dadigiri, médica residente do New York Medical College e principal autora do estudo.
Estresse e alimentação noturna aparecem juntos em sintomas digestivos
Para investigar a relação, os cientistas avaliaram indicadores associados ao estresse físico acumulado no organismo, como índice de massa corporal, níveis de colesterol e pressão arterial. O conjunto de fatores é usado para estimar a chamada carga alostática, uma medida dos efeitos prolongados do estresse no corpo.
Os resultados mostraram que participantes com níveis mais altos desse indicador tinham maior probabilidade de relatar sintomas como constipação ou diarreia.
A relação ficou ainda mais evidente entre pessoas que consumiam mais de 25% das calorias diárias depois das 21h. Nesse grupo, o risco de apresentar problemas intestinais foi cerca de 1,7 vez maior em comparação com participantes com menor nível de estresse que não se alimentavam tarde da noite.
Impactos também aparecem nas bactérias do intestino
Os pesquisadores observaram um resultado parecido ao analisar dados de outro grande banco de informações científicas, o American Gut Project, que reúne dados sobre microbiota intestinal.
Nesse conjunto de dados, com mais de 4 mil participantes, pessoas que relataram níveis elevados de estresse e hábitos alimentares noturnos tiveram cerca de 2,5 vezes mais probabilidade de apresentar sintomas digestivos.
Os indivíduos também mostraram menor diversidade de bactérias no intestino, característica que costuma estar associada a um microbioma menos equilibrado. Além disso, os cientistas sugerem que o horário das refeições pode influenciar a interação entre o cérebro, os hormônios e as bactérias intestinais, sistema conhecido como eixo intestino cérebro.
Os autores ressaltam que o estudo não estabelece relação direta de causa e efeito, mas reforça a ideia de que o momento das refeições pode influenciar o funcionamento do sistema digestivo.